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A Importância do Ensino no Centro EspíritaSérgio Biagi Gregório SUMÁRIO:
1. Introdução. 2. Conceito. 3. Histórico. 4. Como se Aprende: 4.1.
Aprendizagem; 4.2. Informação e Comunicação; 4.3. O Que é Aprender? 5. Como
se Ensina: 5.1. Tipos de Ensino; 5.2. O Que é Ensinar?; 5.3. Cursos e não
Cursos. 6. O Ensino no Centro Espírita: 6.1. Doutrina Espírita; 6.2. Os
Cursos; 6.3. Lembretes aos Divulgadores da Doutrina Espírita. 7. Conclusão. 8.
Bibliografia Consultada. 1. INTRODUÇÃO O objetivo deste estudo é realçar o valor inestimável do
ensino na Casa Espírita. Para tanto, analisaremos o crescimento espiritual de
seus freqüentadores através do binômino ensino-aprendizagem. Assim sendo,
conversaremos sobre como se aprende, como se ensina e o ensino dentro de um
Centro Espírita. 2. CONCEITO Importância. De importar + ância
significa grande valor, mérito, interesse. Ensino
- do lat. “in
+ signare”
= marcar com um sinal - significa transmissão de conhecimentos, de informações
ou de conhecimentos úteis
ou indispensáveis
à educação ou a um
fim determinado.
Centro Espírita é escola de formação espiritual
e moral, núcleo de estudo, recanto de paz construtiva, santuário de prece e de
trabalho, local previamente escolhido para encontro com as Forças Superiores e,
revivendo o Cristianismo, é um lar de solidariedade humana em que os irmãos
mais fortes são apoio aos mais fracos e em que os mais felizes são trazidos ao
amparo dos que gemem sob o infortúnio. (Espiritismo de A a Z)
3. HISTÓRICO Numa análise histórica da educação, que segue o seu curso
desde a China Milenar, passando pelo “berço da civilização ocidental” na
Grécia, estagiando na Escolástica da Idade Média, inserindo-se no Iluminismo
e no desenvolvimento das ciências na época mais recente deparamo-nos, para
fins específicos de nosso estudo, nas figuras de J. J. Rousseau, Pestalozzi e
Allan Kardec. Jean Jacques Rousseau, famoso pelo seu livro “O Contrato
Social”, escreve em 1762 a obra “Emílio ou da Educação”, também
cognominada de cartilha da infância. Este livro é uma crítica ao modelo de
educação vigente na época, ou seja, de fora para dentro, autoritário, do
tipo magister dixit (o mestre (o) disse). Rousseau chama-nos a atenção
para o natural e para o desenvolvimento harmônico da criança. Esta maneira de
ver o processo de educação teve suas conseqüências e estas chegam até
Pestalozzi, Friedrich Froebel e J.F. Herbart. Pestalozzi trabalha um pouco mais
a idéia do desenvolvimento harmônico, principalmente em seu relacionamento com
as crianças pobres, onde mostra que a educação nada mais é do que o
desenvolvimento conjunto do organismo, do intelecto e da moral — ou em outras
palavras —, desenvolvimento da cabeça, coração e corpo. Sua tônica é
voltada para o desenvolvimento dos germes que o indivíduo tem dentro de si.
Allan Kardec, discípulo de Pestalozzi, absorve a perspectiva desta educação e
muito antes de se dedicar aos estudos espíritas já tivera publicado vários
trabalhos de cunho didático. Para sermos mais exatos, o nosso ponto de partida tem que ser
Allan Kardec, pois foi ele quem criou a palavra Espiritismo e Espírita. Nesse
sentido, o Projeto 1868 esclarece-nos que “um curso regular de Espiritismo
seria professado com o fim de desenvolver princípios de Ciência e de difundir
o gosto pelos estudos sérios. Esse curso teria a vantagem de fundar a unidade
de princípios, de fazer adeptos esclarecidos, capazes de espalhar as idéias
espíritas e de desenvolver grande número de médiuns. Considero esse curso de
natureza a exercer capital influência sobre o futuro do Espiritismo e sobre
suas conseqüências”. (Obras Póstumas, p. 342) De lá para cá o Espiritismo teve
um avanço muito grande. No Brasil, em 17/09/1865 —Salvador, Bahia —, é
instalado o “Grupo Familiar do Espiritismo”, o primeiro Centro Espírita do
Brasil e, às 20h30min, Luís Olímpio Teles de Menezes preside a uma sessão
mediúnica, onde se recebe a primeira página psicografada e assinada por
“Anjo Brasil”. Em julho de 1869, para melhor defender e propagar o
Espiritismo, duramente atacado pelo clero e imprensa de Salvador, Luís Olímpio
Teles de Menezes publica “O Echo D’Além-Tumulo” — Monitor Do
Espiritismo no Brasil, o primeiro jornal espírita do Brasil. Funda-se
em 02/08/1873, por inspiração do Espírito Ismael, a “Sociedade de Estudos
Espíritas — Grupo Confúcio”, que pelo seu regulamento deveria seguir os
princípios e as formalidades expostas em O
Livro dos Espíritos e em O Livro dos
Médiuns (Barbosa, 1987, p.70 e 74). Depois que o Grupo Confúcio foi
extinto, em 1876, o movimento espírita entrou numa fase de muita dissidência,
pois cada dirigente queria dar ênfase a um único aspecto da Doutrina Espírita.
Assim, uns defendiam exclusivamente o estudo do Evangelho, outros se diziam
Roustanguistas; uns arvoraram-se em científicos, outros se diziam puros. Como
conseqüência, a separação, a desunião, a luta. Foi justamente nesse estado
de coisas que surgiu Bezerra de Menezes, a fim de equilibrar o movimento espírita,
tornando-o forte, coeso e seguro, no sentido de criar condições para que o
Brasil pudesse cumprir a sua missão de fornecedora do Evangelho ao mundo. Com sua perseverança conseguiu
instalar, solenemente, a “Escola de Médiuns”, mas em vão chamava os
“representantes” de outros grupos às sessões, aparecendo-lhe somente
professores. Em São Paulo, a partir de 1950,
temos notícias dos esforços hercúleos de Edgar Armond para implantar o Curso
de Aprendiz do Evangelho e o Curso de Educação Mediúnica. Hoje, a maioria dos Centros Espíritas
mantém, bem ou mal, os seus cursos regulares de Doutrina Espírita. 4. COMO SE APRENDE 4.1. APRENDIZAGEM O termo procede do latim apprehendere, apoderar-se, e
refere-se à aquisição de comportamento por oposição ao comportamento inato.
Etimologicamente, a aprendizagem é, pois, aquisição de conhecimento ou
habilidade. Ela pode ser definida como um processo de integração e adaptação
do ser ao ambiente em que vive, implicando, pois, em mudança de comportamento. Qual a diferença entre aprendizado e conhecimento? O
conhecimento é passado, algo que já está na memória. O aprendizado é sempre
presente. É uma forma de atualizar o que já sabemos, pois Platão já nos
falava de que o aprender é recordar. 4.2. INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO O que é uma informação? Por que devemos nos preocupar com
sua transferência? Por que devemos sempre estar fazendo cursos de treinamento
de colaboradores? A Informação,
segundo o Dicionário Aurélio,
significa a comunicação ou notícia trazida ao conhecimento de uma pessoa ou
do público. A informação é mais do que o simples conhecimento, é o conhecimento
adquirido, visto o indivíduo tê-lo procurado, esforçado para obtê-lo. A
preocupação com a informação e sua comunicação é importante dentro de uma
Empresa, visto que todos estão transferindo conhecimento de uns para os outros.
Observe quando uma pessoa vem pela primeira vez ao Centro. Quem é o primeiro a
lhe dar uma informação, uma orientação? É o atendente ou o recepcionista.
Depois, esta pessoa vai ao Plantão de Orientação. Quem é a próxima pessoa a
lhe transferir informações? O Entrevistador. 4.3. O QUE É APRENDER? O processo de aprendizagem pode ser posto da seguinte forma: 1. Deve haver necessidade de resolver um problema; O aprender envolve, assim, a captação dos dados, a sua
memorização, a associação com outros conhecimento e a aplicação em outros
campos de interesse. O aprender pressupõe uma mudança de comportamento. Quer
dizer, só podemos nos dizer conhecedores, aprendizes da Doutrina Espírita,
quando isto processar uma mudança em nós. Contudo, essa mudança deve estar
associada à orientação de Jesus. Sem o apoio do Mestre Jesus, nenhum
ensinamento será bem concretizado em nossos corações. Aprender é aproximar-se à filosofia de Sócrates, ou seja,
ao “sei que nada sei”. E esta é a verdadeira atitude, porque nos leva à
humildade. 5. COMO SE ENSINA 5.1. TIPOS DE ENSINO a) educação “bancária” ou “convergente” b) educação “problematizadora” ou “libertadora” 5.2. O QUE É ENSINAR? No aprender o aluno o faz por si mesmo. Ensinar não é o
mesmo que aprender. Por isso, se o aluno não aprender, todo o esforço feito
para ensinar estará perdido. O ensinar pressupõe dois princípios fundamentais: a) partir sempre do conhecido para o desconhecido; b) do simples para o composto. 5.3. CURSOS E NÃO CURSOS Como dissemos anteriormente, ensinar é marcar com um sinal.
Pode-se perceber que marcar com um sinal não depende de curso regular. No
corredor, na entrevista, no diálogo, na conversa ao pé do ouvido estamos
aprendendo e ensinando. Quer dizer, para se aprender não necessariamente
precisaríamos de cursos regulares, pois sempre que estivermos em contato com
alguém que saiba mais do que nós, estaremos em aprendizado. A instituição de cursos regulares é mais para dar uma direção
didática e metódica ao ensino, escolhendo aquilo que de melhor acharmos para
que todos tenham instrumentos, informações de se falar a mesma língua. 6. O ENSINO NO CENTRO ESPÍRITA 6.1. DOUTRINA ESPÍRITA Antes de falarmos de ensino no Centro Espírita, devemos ter
pleno conhecimento do que seja a Doutrina Espírita. Por Doutrina Espírita
entendemos os princípios fundamentais deixados por Allan Kardec em suas obras básicas
e complementares. Quer dizer, só podemos falar em ensino espírita, se
partirmos dos seus pressupostos básicos, ou seja, do acervo que existe nos
livros. 6.2. OS CURSOS Geralmente o ensino espírita é feito através de Cursos
Regulares. Estes, porém, não devem ser transformados em cursos mundanos. Lá,
na sociedade, nós freqüentamos os cursos para adquirir uma especialização,
formarmo-nos em uma profissão. Aqui, a intenção é outra. O Espírito
Emmanuel, por exemplo, define o Centro Espírita como a universidade da alma, o
que nos leva a refletir que a atitude, tanto de quem ensina como de quem
aprende, deve ser a de formar almas compenetradas de suas responsabilidades
perante si mesmos e perante os outros. 6.3. LEMBRETES AOS DIVULGADORES DA DOUTRINA ESPÍRITA 1) Eliminar
qualquer tipo de autoridade sobre os alunos: todos somos aprendizes, e se assim
nos comportarmos, haverá realmente um clima de aprendizado sadio; 2) Evitar dizer: “Você é médium e tem que desenvolver a
mediunidade”. Desenvolver a mediunidade não é receber Espíritos; é estar
cada vez mais em sintonia com os bons Espíritos que nos acompanham; 3) A insistência pelo estudo deve ter seus limites, pois
muitos não sabem ler e nem escrever; 4) Uma pergunta que deixa o aluno ou ex-aluno incomodado: você
já terminou o curso e ainda não trabalha? 7. CONCLUSÃO Estejamos conscientes que a relação ensino-aprendizagem
reveste-se de grande utilidade, tanto para o educador como para o educando.
Contudo, não transformemos o ensino-aprendizagem num acúmulo de informações
e raciocínios, sem qualquer vínculo com as necessidades prementes do Espírito
imortal. 8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA EQUIPE DA FEB. O
Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro, FEB, 1995. São Paulo, julho de 2002
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