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As Conversões na Hora da MorteMarcelo Stanczyk São cento e cinqüenta anos de espiritismo aproximadamente. Cento e cinqüenta anos de uma nova cultura de vida. Cultura esta que procura demonstrar ao homem, procura aproximá-lo, de uma realidade desconhecida até então, pela massa popular, porém, nem por isso, menos importante. A base de todo estudo espírita visa esclarecer o homem a respeito do mundo espírita e suas relações, assim como sua importância prática. O mundo ocidental, podemos assim dizer, detentor de um conhecimento científico, tecnológico e intelectual avantajado, apesar, não conseguiu perceber, demonstrar, e porque não dizer, sequer procurou algum conhecimento relacionado com o “post mortem”. A doutrina que impera no pensamento ainda é o cientificismo. O que não é nada ruim, se constatarmos que ainda grande parcela da população mundial é ignorante de conhecimentos básicos, tais como de higiene, saúde e educação. Ocorre que, por outro lado, essa forma de pensar dificulta um tanto. A assimilação de valores, não só espirituais, mas também religiosos. Um exemplo é que a ciência da parapsicologia, frente as outras ciências, ainda caminha em passos curtos, e, na atualidade, apenas ela se destina a estudar “alguns” aspectos que, até então, a ciência afirmava ser religioso. Não se torna necessário dizer que hoje há um profundo divórcio entre a ciência e a religião. Assim, podemos captar um quadro dicotômico e interessante: é praticamente impossível abraçar ao mesmo tempo religião e ciência. Contudo, o homem é um ser completo e necessita de ambas para bem viver. Essa situação é semelhante a do senhor que possui duas mulheres que se detestam e nem ao menos se conhecem ¾ sabendo uma da outra apenas por ouvir dizer ¾ onde o varão quando está com uma há de se esquecer de tudo em relação à outra, caso contrário poderá num deslize, magoá-la. A solução que o homem atual encontra é, ou desposar uma ignorando seu outro amor. Ou ficar com a outra, sofrendo a perda da que restou. Na prática, enquanto infante e adolescente, por ainda faltar ao homem uma compreensão mais apurada e um raciocínio mais lógico, muitas vezes, não procura por nada e quanto muito por religiões que trazem grande quantidade de elementos fantasiosos e lendários. Uma vez adulto, a razão lhe chama ao equilíbrio e o homem esquece-se da religiosidade, buscando satisfazer seu apetite por saber. É a época da razão. Ocorre que, como já foi dito, a ciência não possui bagagem para responder a um certo número considerável de questões, muitas delas somente solucionadas, em parte, pela religião. As perguntas básicas são relacionadas a realidade da vida e da morte. Enquanto jovem, pouco o homem se preocupa com estas questões: ¾ há muito que se viver!!! Ocorre que, por obediência a uma lei implacável, mas natural, a decrepitude se aproxima, e o medo da morte também. O foco da atenção da vida daquele homem se altera e, o que a ciência não lhe respondeu, então buscará ele na religião. Muitos acreditam que isso ocorra com o idoso face à senilidade que, para eles, é a perda do juízo (lógico). Esquecem-se eles que poderão um dia apresentar questões iguais e/ou semelhantes. Eis que agora entendemos porque só no fim da vida é que muitos procuram a religião: ¾ Querem reconstruírem, tentando reconquistar o tempo perdido. Outro dado importante, divulgado aos quatro ventos, é que a grande maioria das pessoas se dizem (nem sempre se sabe se realmente são, posto que se todos que dizem ser realmente o fossem o mundo haveria de ser outro) cristãos ¾ destes muitíssimos católicos apostólicos romanos. A doutrina católica possui um solucionamento muito interessante (senão muito fantasioso) para a morte e suas conseqüências posteriores: É a doutrina do céu, do purgatório e do inferno. Não só essa forma de resolver a questão, mas outros pontos também interessantes, fazem com que muitos, atendendo a lei do menor esforço, acabem por optar por essa doutrina. Para o católico a absolvição sacramental apaga todos os “pecados” e, no instante final da vida, associado a Extrema Unção, garante ao desfalecendo, os direitos aos céus prometidos pelo sacerdócio. Fácil não! A pessoa poderá durante anos... décadas... praticar toda sorte de vilipêndios, maldades, equívocos e por outro homem, este sacerdote ser absolvido e garantido no céu. A natureza mostra-nos que não é bem assim. Muitos aspectos, até mesmo a ecologia nos mostra a teoria da responsabilidade subjetiva dos atos. Jesus falava dela: ¾ A cada um, segundo suas obras. O espiritismo, doutrina que reúne ciência e religião, ciência num aspecto bem diferenciado deste que se propaga pelos “campus”, e religião que não se contrapõe à lógica dos fatos, ensina também, como Jesus o fez, mas na forma da Lei de Ação e Reação. Como dizíamos no começo. A civilização ocidental não está preparada para a morte, e muito menos para encarar a realidade de uma vida futura, nos moldes que realmente ela tem. A civilização já conhece, sob outros aspectos, tudo que o espiritismo procura ensinar ao homem ocidental. O desejo atual do espiritismo se revela, não só na cura pelos passes, mas no esclarecimento do “doente”. Quer demonstrar que um perdão, como é dado pelos católicos, pouca eficácia espiritual possui se não houver um sincero arrependimento e uma ação reparadora urgente. Quer mostrar que o futuro, como a história diz, é fruto do presente, tanto quanto este é fruto de um passado, que o foi de outro longínquo. Se a dor existe, existe como um alerta fazendo-nos procurar os médicos (uma ação). Se o sofrimento existe, existe também com uma finalidade: fazer-nos buscar os médicos da alma. Muita paz... São Paulo, março de 2005 |