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Mais Além

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Considerações Iniciais. 4. O Além Visto pelas Religiões: 4.1. Religião Egípcia; 4.2. As Religiões da Índia; 4.3. O Budismo Chinês; 4.4. O Cristianismo. 5. A Filosofia: 5.1. Platão e Aristóteles; 5.2. Concepção Segundo a Escolástica; 5.3. A Imortalidade Segundo Kant; 5.4. Concepções mais Recentes sobre a Imortalidade. 6. Visão Espírita da Vida Futura: 6.1. Progresso Ininterrupto do Espírito; 6.2. A Continuidade do que Somos; 6.3. Um Exemplo: O Suicídio não Resolve o nosso Problema. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

É possível tratar da questão da vida sem evocar a da morte? O que acontece conosco depois da morte? Existiremos para sempre? É possível provar a imortalidade da alma? O que as religiões têm a nos ensinar? E a filosofia? Tencionamos fazer um estudo das religiões, da filosofia e da visão espírita acerca deste tema.

2. CONCEITO

O mais-além é o mesmo que além-da-vida, além-túmulo, mundo invisível, plano espiritual, mundo dos desencarnados, esferas espirituais. Em espanhol, costuma-se dizer más allá; em inglês, afterdeath De acordo com o Espiritismo, o mais-além é o verdadeiro mundo, sendo este apenas transitório.

3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A existência do espírito e de uma vida futura é uma das principais preocupações que acompanha a humanidade em toda a sua trajetória, desde a antiguidade até os nossos dias. Diz-se que se o "além-túmulo" não existisse, o ser humano teria de inventá-lo, tal qual ocorre com a noção de Deus e de reencarnação.

Há muitos pensamentos a respeito da vida futura. Eis alguns deles:

Sócrates: "Enterrai-me, se logrardes reter-me, enterrai-me onde quer que desejes. Já tantas vezes não vos disse, a vós e aos sábios, que este corpo não é Sócrates?"

Confúcio: "Não choreis com excessivo pesar os que partiram. Os mortos são amigos devotados e leais; eles estão sempre junto de nós"

Paracelso: "Todos podemos educar e equilibrar nossa imaginação, a fim de poder entrar em contato com os seres espirituais e receber seus ensinamentos".

Dr. Samuel Johnson: "Eu não acredito em espíritos... Vi muitos deles".

Dr. T. J. Hudson: "O homem que hoje nega os fenômenos do espiritualismo não pode ser intitulado cético; é, simplesmente, ignorante".

Este assunto – a vida após a vida – é tão palpitante que despertou o interesse dos psicólogos pelos casos de pacientes terminais. Eles fazem entrevistas com os moribundos para saber o que essas pessoas pensam a respeito do mundo espiritual. Para atender a tal objetivo, Sukie Miller, psicóloga e psicoterapeuta, fundou, em 1988, nos Estados Unidos, o Institute of Study of Afterdeath (Instituto de Estudo do Pós-Morte). Posteriormente, em 1997, publicou o livro Depois da Vida, em que trata essencialmente da questão: "O que acontece conosco depois que morremos?"

4. O ALÉM VISTO PELAS RELIGIÕES

4.1. RELIGIÃO EGÍPCIA

A religião egípcia é identificada com o culto da morte. O embalsamamento dos cadáveres (faraós) é um exemplo marcante, pois com isso esperavam dar continuidade à vida, mesmo depois que o corpo morreu. A ciência secreta e os mistérios de Isis e Osíris simbolizam as forças espirituais que se prendiam ao fenômeno da morte. O Livro dos Mortos dá a conhecer os obstáculos que os defuntos encontram no outro mundo e os meios de vencer as dificuldades. Às vezes, no momento dos funerais, representam-se dramas simbolizando o triunfo do morto sobre os demoníacos adversários.

4.2. AS RELIGIÕES DA ÍNDIA

As religiões da Índia – Vedismo, Bramanismo, Hinduismo, Jainismo e budismo – embora tivessem partido das mesmas premissas do povo egípcio, a crença na imortalidade da alma tomou um rumo diferente, pois salientou a necessidade da metempsicose, que é a volta do espírito em corpos de animais, como castigo dos erros cometidos. Independentemente deste lado negativo da evolução, a faculdade de tolerar e de esperar aflorou no sentimento coletivo das multidões, que suportaram heroicamente todas as dores e aguardaram o momento sublime da redenção. A salvação (moksha) consistiria em libertar-se do karman, em libertar-se de qualquer renascer, pois renascer é participar novamente "da dor do mundo".

4.3. O BUDISMO CHINÊS

O budismo chinês ofereceu um socorro com a idéia de Nirvana. Nirvana é sinônimo da imperturbável quietude ou beatífica realização do não ser. Não se trata, pois, da união permanente da alma com Deus, finalidade de todos os caminhos evolutivos. De qualquer forma, oferece-nos uma outra maneira de tratar da imortalidade da alma.

4.4. O CRISTIANISMO

Jesus, na sua caminhada por este planeta, apresentou-nos a vida futura. No entender de alguns, este foi o principal trunfo do êxito do Cristianismo. Ao falar das bem-aventuranças e as recompensas prometidas ao servo fiel, colocou todos os seres humanos num mesmo nível de salvação e eternidade na posse de Deus. Jesus estendeu a imortalidade da alma aos bárbaros e aos escravos, que, no Império Romano, não eram admitidas ao culto oficial. Isso representou uma verdadeira evolução espiritual. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)

5. A FILOSOFIA

5.1. PLATÃO E ARISTÓTELES

Baseando-se na teoria das formas, Platão defende a tese da imortalidade da alma, em que o espírito viria do mundo das idéias, faria a sua jornada neste mundo, e a ele voltaria novamente. Assim, aquele que tivesse praticado o bem, teria uma volta tranqüila; o que tivesse praticado o mal, uma volta difícil. Para Platão, o objetivo final da vida é a alma libertar-se do corpo, a fim de voltar para a eternidade. Aristóteles, por sua vez, estabelece a hipótese de existir no homem a razão passiva e a razão criadora. A razão criadora é a centelha divina, uma parte de Deus que, procedente de fora, entra na alma e não se acha afetada pelo seu lado vil. Uma vez que tudo, exceto a razão criadora, perece com o corpo, a imortalidade da alma é impossível no sistema de Aristóteles. A única parte da alma que sobrevive à morte faz parte de Deus, e a Ele volta. Tudo o mais perece. (Frost Jr, s.d.p., p. 162 a 164)

5.2. CONCEPÇÃO SEGUNDO A ESCOLÁSTICA

Para Santo Agostinho, cada indivíduo possui uma alma, sendo-nos impossível saber a sua origem, porque é um mistério divino. Depois que surge, continua a existir eternamente. Daí a sua crença na imortalidade. Imaginava que a alma poderia ser feliz ou infeliz na eternidade, dependendo dos atos praticados nesta vida. As bem-aventuranças dependem de um favor divino, e quem não o receber estará condenada para sempre.

Santo Tomás de Aquino doutrinou que a alma humana foi criada por Deus. Essa alma é agregada ao corpo por ocasião do nascimento. Essa alma inteligente não depende do corpo para a sua existência ou função; pode continuar a existir depois de ter perecido. Forma, pois, para si mesmo um novo corpo, um corpo espiritual, por meio do qual atua por toda a eternidade. (Frost Jr, s.d.p., p. 166 a 168)

5.3. A IMORTALIDADE SEGUNDO KANT

Kant afirmou que o intelecto somente pode conhecer aquilo que pode experimentar. A razão pode ir além e penetrar num mundo em que não temos a experiência. É a razão que dá ao homem a imagem de alma como resultado de todos os processos mentais. Embora não possamos provar a existência de uma alma imortal, podemos agir como se existisse, porquanto vale realmente fazê-lo. Achava ele que a noção de alma tem valor ético. É resultado da lei moral e serve como base da vida moral; daí a sua celebre frase: "Age de tal forma que a tua ação possa ser considerada lei natural". (Frost Jr, s.d.p., p. 173 a 174)

5.4. CONCEPÇÕES MAIS RECENTES SOBRE A IMORTALIDADE

O desenvolvimento da filosofia evolucionista do séc. XIX nega a imortalidade. De acordo com essas concepções, a vida mental do homem está tão estreitamente ligada ao cérebro e tão dependente dele, que se torna inacreditável a continuação das funções intelectuais depois da decomposição do corpo. (Frost Jr, s.d.p., p. 176 a 179)

6. VISÃO ESPÍRITA DA VIDA FUTURA

Allan Kardec, em todas as suas obras, nada mais faz do que nos mostrar as influências que os nossos atos presentes propiciarão em nossa vida futura.

6.1. PROGRESSO ININTERRUPTO DO ESPÍRITO

Dentre as várias alternativas da humanidade com relação à vida futura, o Espiritismo opta pela individualidade da alma e pelo progresso ininterrupto do Espírito. De acordo com os seus postulados, fomos criados simples e ignorantes, mas com a determinação de nos tornarmos perfeitos, tal como Deus o é. Podemos adiar, desviar-nos do caminho reto, deixarmos a evolução para a próxima encarnação, mas todos teremos voltar ao caminho do progresso, porque este é compulsório.

6.2. A CONTINUIDADE DO QUE SOMOS

Pergunta: um encarnado infeliz será um desencarnado feliz? A princípio, não. Por quê? A morte não nos transforma de todo, apenas mudamos de indumentária, mas continuamos com a nossa ignorância ou o nosso saber. O passamento é apenas uma mudança de dimensão: de posse de um corpo físico para o estado em que o corpo físico está ausente. Isso não altera o nosso status quo, ou seja, se nesta existência automatizamos os reflexos de infelicidade, forçoso nos é que continuaremos com eles no mundo dos Espíritos.

6.3. UM EXEMPLO: O SUICÍDIO NÃO RESOLVE O NOSSO PROBLEMA

Sócrates já nos alertava que a vida nada mais é do que uma preparação para a morte, para o que há de vir. É por esta razão que o suicídio não resolve problema algum, porque aquele que pensa tirar a sua vida e resolver os seus problemas acaba tendo a surpresa de que não morreu, de que continua vivo, apenas um pouco mais confuso e mais devedor da lei.

7. CONCLUSÃO

Pesquisas e ilações não podem substituir a experiência. Sigamos, assim, a advertência de Nietzsche, ao tratar do imperativo de Zaratustra: "Viva (presentemente) de maneira que possa viver eternamente com alegria em cada momento de sua vida".

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

FROST JR., S. E. Ensinamentos Básicos dos Grandes Filósofos. São Paulo: Cultrix, s.d.p.

GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.]

São Paulo, junho de 2007

 




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