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Parábola da Grande Ceia

Sérgio Biagi Gregório

Sumário: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. O texto bíblico: 3.1. Lucas, 14, 15-24; 3.2 Mateus, 22, 1-14. 4. O Chamamento ao Reino de Deus: 4.1. Os Primeiros a serem Chamados; 4.2. Os Chamados por Paulo; 4.3. Os Chamados pelo Espiritismo. 5. A Veste Nupcial: 5.1. Desculpas ao Chamamento; 5.2. Os Coxos e os Estropiados; 5.3. A Veste Nupcial. 6. Muitos os Chamados e Poucos os Escolhidos: 6.1. Os Bons e os Maus; 6.2. Muitos e Poucos; 6.3. O convite e a aceitação. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

Qual o significado da parábola da grande ceia ou do festim de bodas? É possível aplicá-la nos dias que correm? Para estudá-la, dividiremos o tema em três tópicos, que são: Chamamento ao Reino de Deus, A Veste Nupcial e Muitos os Chamados e Poucos os Escolhidos.

2. CONCEITO

Parábola. Do gr. parabolé, que vem de pará (= ao longo de, ao lado de, passando perto, junto de) e bolé (= o que foi jogado). Bolé vem do verbo grego bállo, que significa jogar, lançar. Para expressar o ato de lançar uma pedra, que passa de raspão, os gregos usam o verbo paraboleúomai. Narração alegórica na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras de ordem superior. Um discurso que não pode ser mantido diretamente, um desvio de linguagem que se é obrigado a fazer, freqüentemente utilizando os recursos da analogia.

3. O TEXTO BÍBLICO

3.1. LUCAS, 14, 15-24

15. Ouvindo isso, um homem que estava à mesa disse a Jesus: "Feliz aquele que come pão no Reino de Deus!".

16. Jesus respondeu: "Um homem deu grande banquete, e convidou muitas pessoas".

17. Na hora do banquete, mandou seu empregado dizer aos convidados: 'Venham, pois tudo está pronto'.

18. Mas todos, um a um, começaram a dar desculpas. O primeiro disse: 'Comprei um campo, e preciso ir vê-lo. Peço-lhe que aceite minhas desculpas'.

19. Outro disse: 'Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-las. Peço-lhe que aceite minhas desculpas'.

20. Um terceiro disse: 'Acabo de me casar e, por isso, não posso ir'.

21. O empregado voltou, e contou tudo ao patrão. Então o dono da casa ficou muito zangado, e disse ao empregado: 'Saia depressa pelas praças e ruas da cidade. Traga para cá os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos'.

22. O empregado disse: 'Senhor, o que mandaste fazer, foi feito, e ainda há lugar'.

23. O patrão disse ao empregado: 'Saia pelas estradas e caminhos, e faça as pessoas virem aqui, para que a casa fique cheia.

24. Pois eu digo a vocês: "Nenhum daqueles que foram convidados vai provar do meu banquete'."

3.2. MATEUS, 22, 1-14

1. Jesus voltou a falar em parábolas aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo.

2. Ele dizia: "O Reino do Céu é como um rei que preparou a festa de casamento do seu filho".

3. E mandou seus empregados chamarem os convidados para a festa, mas estes não quiseram ir.

4. O rei mandou outros empregados, dizendo: 'Falem aos convidados que eu já preparei o banquete, os bois e animais gordos já foram abatidos, e tudo está pronto. Que venham para a festa'.

5. Mas os convidados não deram a menor atenção; um foi para o seu campo, outro foi fazer os seus negócios,

6. E outros agarraram os empregados, bateram neles, e os mataram.

7. Indignado, o rei mandou suas tropas, que mataram aqueles assassinos, e puseram fogo na cidade deles.

8. Em seguida, o rei disse aos empregados: 'A festa de casamento está pronta, mas os convidados não a mereceram’.

9. Portanto, vão até as encruzilhadas dos caminhos, e convidem para a festa todos os que vocês encontrarem'.

10. Então os empregados saíram pelos caminhos, e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados.

11. Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí alguém que não estava usando o traje de festa.

12. E lhe perguntou: 'Amigo, como foi que você entrou aqui sem o traje de festa?' Mas o homem nada respondeu.

13. Então o rei disse aos que serviam: 'Amarrem os pés e as mãos desse homem, e o joguem fora na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes'.

14. Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos.

4. O CHAMAMENTO AO REINO DE DEUS

4.1. OS PRIMEIROS A SEREM CHAMADOS

Os israelitas são os primeiros a serem chamados. Jesus, como a segunda revelação divina, deveria dar um outro verniz à adoração ao Pai. Sua missão era a de transformar a lei do "dente por dente e olho por olho" na lei de amor, chegando, inclusive, ao amor aos inimigos. Não foi compreendido, principalmente pelos sacerdotes da época, que preferiram o culto externo. Os israelitas, ao recusarem Jesus, excluem-se do reino de Deus. Em seu lugar, Jesus mandou buscar os "pecadores", os coxos e os pagãos.

4.2. OS CHAMADOS POR PAULO

Paulo era um fervoroso adepto da lei mosaica. Depois da queda em Damasco, passa a defender com o mesmo ímpeto a lei do Novo Testamento. Ele é considerado o apóstolo dos gentios, porque teve a coragem de propagar o cristianismo para além do círculo restrito dos cristãos. Com isso, sofreu todo o tipo de apodo, principalmente dos seus pares políticos e da sua família. Contudo, não se intimidou ante o grande trabalho que lhe era reservado na divulgação da boa nova do Cristo. Prisão, doenças, preconceito e contradições não conseguiram abalar a sua convicção. Com isso, o seu exemplo contagiou e ainda estimula muita gente a seguir os passos de Cristo.

4.3. OS CHAMADOS PELO ESPIRITISMO

O Espiritismo, como a terceira revelação divina, também se dispõe a chamar as pessoas para o grande banquete nupcial. Nem sempre, porém, vem de forma branda. É por isso que se diz: "Quem não vem pelo amor vem pela dor". O chamamento pode vir através das seguintes ocorrências: uma pessoa ouve vozes, vê vultos, sente a presença de entidades espirituais, tem sonhos tumultuados etc. Estes são os dados externos, o motivo para a procura do Espiritismo, ou de um Centro Espírita. O que os Espíritos de luz, porém, têm outro motivo em mente, ou seja, estimular o indivíduo a se debruçar sobre os princípios básicos da Doutrina Espírita. Nesse caso, quando damos muita importância ao fenômeno mediúnico, estamos nos desviando do verdadeiro objetivo do Espiritismo, que é a transformação intelectual, moral e espiritual do ser humano.

5. A VESTE NUPCIAL

5.1. DESCULPAS AO CHAMAMENTO

Na parábola, o Senhor mandou os seus servos chamarem as pessoas para o Reino de Deus. Ao serem advertidos sobre a palavra de Deus, diziam: eu não posso, preciso ganhar dinheiro para sustentar a minha família; espere um pouco mais, ainda não estou preparado para o grande banquete; outros ainda disseram que não podiam porque precisavam antes gozar a vida. Esta lista poderia ser aumentada. Muitas vezes, porém, somos bafejados pela presença divina e ficamos com medo de seguir o mestre: tememos a admoestação pública, a incompreensão do familiar e o desprezo do próximo. Consequência: vamos adiando indefinidamente o que mais importa em nossa vida, que é a "salvação" de nossa alma.

5.2. OS COXOS E OS ESTROPIADOS

Como os primeiros (os israelitas) não atenderam ao chamamento, Jesus reitera o convite aos outros, ou seja, aos coxos, aos pagãos, aos estropiados. De acordo com Ângelo Lancellotti (1983), a preferência pelos coxos se passa do plano moral ao histórico-teológico: "Os múltiplos convites de Deus ao povo eleito para as núpcias messiânicas de seu Filho, agora que elas estão prontas, encontram, inexplicavelmente, uma geral recusa. Daí a substituição por outros convidados (os pagãos), aparentemente menos dignos". Lembremo-nos de que os cegos e os coxos, esses deserdados representavam os pagãos e os israelitas não-praticantes, considerados indignos do reino de Deus.

5.3. A VESTE NUPCIAL

A veste nupcial é uma figura de linguagem. A Bíblia compara o banquete a uma participação no reino de Deus. Há muitas citações sobre a "festa de casamento", tanto no Velho quanto no Novo Testamento. O convite à grande ceia, ao banquete, à veste nupcial nada mais é do que pedir para que as pessoas aceitem o Evangelho. A veste nupcial é a imagem da pureza de coração, de sentimento, de pensamento e de ações. Observe a comparação, feita por Jesus, entre o reino de Deus e as crianças. As crianças representam a pureza de coração, pois ainda não tiveram oportunidade de manchar os seus sentimentos com o rancor, o ódio, roubo e o egoísmo.

6. MUITOS OS CHAMADOS E POUCOS OS ESCOLHIDOS

6.1. OS BONS E OS MAUS

Sobre os bons e os maus há, também, muitas citações no Evangelho. É, na verdade, uma maneira de exprimir a totalidade da vida. Nesse caso, o Evangelho diz que os bons vão para o céu e os maus para o inferno. Haverá uma ruptura, uma seleção, em que uns não podendo permanecer no Planeta Terra deverão encarnar em outros mundos. É a lei do progresso. Por isso, o cristão, que foi chamado também tem que prestar atenção, pois poderá fazer parte dos maus, caso não coloque em prática os ensinamentos trazidos pelo mestre Jesus.

6.2. MUITOS E POUCOS

Em hebraico, "muitos" significa multidão. Na catequese cristã, houve pouca ressonância, ou seja, a multidão não aderiu às prédicas evangélicas do Cristo. Na época, os "muitos chamados" eram os israelitas que não ouviram a palavra. Os "muitos-poucos" indica mais uma relação qualitativa que numérica. São aqueles que, depois de ouvirem a palavra a colocam em prática. São aqueles que fazem ecoar no coração alheio o verdadeiro ensinamento que o mestre Jesus nos trouxe há mais de 2000 anos.

6.3. O CONVITE E A ACEITAÇÃO

Allan Kardec, comentando essa passagem evangélica, diz-nos que: "Não basta a ninguém ser convidado; não basta dizer-se cristão, nem sentar-se à mesa para tomar parte no banquete celestial. É preciso, antes de tudo e sob condição expressa, estar revestido da túnica nupcial, isto é, ter puro o coração e cumprir a lei segundo o espírito. Ora, a lei toda se contém nestas palavras: Fora da caridade não há salvação. Entre todos, porém, que ouvem a palavra divina, quão poucos são os que a guardam e a aplicam proveitosamente! Quão poucos se tornam dignos de entrar no reino dos céus! Eis por que disse Jesus: Chamados haverá muitos; poucos, no entanto, serão os escolhidos".

7. CONCLUSÃO

Se todos realmente seguissem os ensinamentos de Jesus, o mundo já estaria bem modificado em sua estrutura moral. Ninguém procuraria ludibriar a si mesmo e ao próximo, pois a fraternidade universal seria uma norma de conduta.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.

LANCELLOTTI, Ângelo e BOCCALI, G. Comentário ao Evangelho de São Lucas. Tradução de Antonio Angonese e Ephraim Ferreira Alves. 2. ed., Rio de Janeiro: Vozes, 1983.

SCHUTEL, C. Parábolas e Ensinos de Jesus. 11. ed. São Paulo: O Clarim, 1979.

 

São Paulo, maio de 2010




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