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Que Fazeis de Especial

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. O Texto Evangélico: do Amor ao Próximo. 4. Pressupostos Espíritas: 4.1. Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo; 4.2. O que é o Espiritismo; 4.3. Os Princípios Fundamentais. 5. Que fazeis de especial? 6. Relação entre Instrução e Ação: 6.1. A Mudança de Atitude e de Comportamento; 6.2. Atitude de Correção; 6.3. Orar e vigiar. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

Como nos colocar diante da pergunta: “Que fazeis de especial?” Nos primórdios do cristianismo, os publicanos e os fariseus comiam, bebiam e cumpriam os seus deveres, e, mesmo assim, eram repreendidos por Jesus, pois não cogitavam sobre a vida futura. Como servir além dos deveres familiares e sociais? Eis a questão que devemos analisar em conjunto.

2. CONCEITO

Especial - do latim speciale. 1. Relativo a uma espécie; próprio, peculiar, específico, particular. 2. Fora do comum, distinto, excelente. 3. Coisa muito fina ou rara.

Especialista. Pessoa que se consagra com particular interesse e cuidado a certo estudo. Conhecedor, perito.

Fazer. 1. Dar existência ou forma a; produzir física e moralmente; 2. Criar, construir, edificar 3. Fabricar manufaturar. O dicionário do Aurélio arrola, ao todo, 46 itens.

3. O TEXTO EVANGÉLICO: DO AMOR AO PRÓXIMO

“Ouvistes que foi dito: amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filho do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos.

Por que se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?

E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis mais? Não fazem os gentios também o mesmo? (5,47)

Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é vosso Pai celeste.” (Mateus 5, 43 a 48)

O Espírito Emmanuel, no capítulo 60 de Vinha de Luz, comenta o item 5, 47 de Mateus. Este versículo faz parte do tópico “Do Amor ao Próximo”, como vimos acima, e pertence ao capítulo sobre as Bem-Aventuranças, ou Sermão do Monte, em que Jesus dita as 8 regras básicas de um comportamento salutar:

1.ª) Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.

2.ª) Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

3.ª) Bem-aventurados aqueles que são brandos e pacíficos, porque herdarão a Terra.

4.ª) bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

5.ª) Bem-aventurados aqueles que são misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

6.ª) Bem-aventurados aqueles que têm puro o coração, porque verão a Deus.

7.ª) bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, porque o reino dos céus é para eles.

8.ª) Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós. (Mateus, 5, 1 a 12)

4. PRESSUPOSTOS ESPÍRITAS

4.1. ALLAN KARDEC, O CODIFICADOR DO ESPIRITISMO

Hippolyte-Léon Denizard Rivail —  Allan Kardec — nasceu no dia 03 de outubro de 1804, às 19 horas, na Cidade de Lyon, na França. Seu pai, Jean-Baptiste-Antoine Rivail, era magistrado, juiz de direito; sua mãe, Jeanne Duhamel, era professora; sua esposa, Amélie Grabielle Boudet, também, era professora. Como homem podemos dizer que foi professor, escritor, filósofo e cientista. Faleceu no dia 31 de março de 1869, com 64 anos de idade. Sua missão foi a de organizar o edifício da 3.ª Revelação.  

4.2. O QUE É O ESPIRITISMO

O Espiritismo é uma doutrina fundada sobre a crença de existência de Espíritos e nas suas manifestações. A doutrina pressupõe um conjunto de princípios. Os princípios são as molas propulsoras de qualquer Filosofia, Ciência ou Religião. Os princípios espíritas diferem sobremaneira de outros princípios, principalmente das doutrinas espiritualistas. Nesse sentido, o Espiritismo difere das religiões pela ausência total de misticismo, não invocando revelações nem o sobrenatural. O espiritismo só admite fatos experimentais, com as deduções que deles se desprendem. Também se distingue da Metafísica ao repelir todo o raciocínio a priori e toda a solução puramente imaginativa.

4.3. OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

Deus, Evolução, Reencarnação, Sobrevivência do Espírito, Pluralidade dos Mundos Habitados, Comunicação entre os Dois Mundos (o Físico e o Espiritual).

Como absorver esses princípios?

Através do estudo das Obras Básicas e das Complementares. As Obras Básicas, também, cognominadas de Pentauteco Espírita, compõem-se dos seguintes livros : O Livro dos Espíritos (1857), O Livro dos Médiuns - ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores (1861), O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno - ou Justiça Divina Segundo o Espiritismo (1865) e A Gênese - os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868). As Obras Complementares, que dão extensão às Obras Básicas, são de cunho mediúnico e não mediúnico. Entre as não mediúnicas, citam-se os escritos de Gabriel Delanne, Leon Denis, Camile Flammarion, J. Herculano Pires, Edgar Armond e outros. Entre as obras mediúnicas, estão os livros psicografados por Francisco Cândido Xavier, Divaldo Pereira Franco e outros.

5. QUE FAZEIS DE ESPECIAL?

De acordo com o Espírito Emmanuel, os espiritistas cristãos sabem:

Que a vida prossegue vitoriosa, além da morte;

Que se encontram na escola temporária da Terra, em favor da iluminação que lhes é necessária;

Que o corpo carnal é simples vestimenta a desgastar-se cada dia;

Que os trabalhos e desgostos do mundo são recursos educativos;

Que a dor é o estímulo às mais altas realizações;

Que a nossa colheita futura se verificará, de acordo com a sementeira de agora;

Que a luz do Senhor clarear-nos-á os caminhos, sempre que estivermos a serviço do bem;

Que toda a oportunidade de trabalho no presente é uma bênção dos Poderes Divinos;

Que ninguém se acha na Crosta do Planeta em excursão de prazeres fáceis, mas, sim, em missão de aperfeiçoamento;

Que a justiça não é uma ilusão e que a verdade surpreenderá toda a gente;

Que a existência na esfera física é abençoada oficina de trabalho, resgate e redenção e que os atos, palavras e pensamentos da criatura produzirão sempre frutos que lhes dizem respeito, no campo infinito da vida.

6. RELAÇÃO ENTRE INSTRUÇÃO E AÇÃO

6.1. A MUDANÇA DE ATITUDE E DE COMPORTAMENTO

Como a atitude é uma intenção de se comportar de uma certa maneira, a intenção pode ou não ser consumada, dependendo da situação ou das circunstâncias. Mudanças nas atitudes de uma pessoa podem demorar muito para causar mudanças de comportamento que, em alguns casos, podem nem chegar a ocorrer. Diz-se que no umbral há uma multidão de espíritas de boa intenção.

Observa-se, assim, que há um tempo de maturação entre o estímulo recebido – pela leitura, pela sugestão de alguém, pela instrução de um Espírito amigo – e a concretização da mudança propriamente dita. Acrescente-se a isso as tendências de cada um, automatizadas ao longo das várias encarnações.

6.2. ATITUDE DE CORREÇÃO

O espírita sincero deve se ater a uma única coisa: por em prática os ensinamentos de Jesus. Ao tentar seguir os exemplos de Cristo, ele percebe que comete muitos erros, muitos deslizes e muitas frustrações. Mesmo assim não deve desanimar, porque tendo em mente a “salvação” de sua alma, um dia será realizado. Ainda: se, em qualquer ação, pautar-se pelo interesse geral, o caminho estará mais livre; com isso, andará mais rápido do que aquele que nem sequer percebe que está errando.

6.3. ORAR E VIGIAR

Toda a ação tem a sua reação. Jesus não disse que veio trazer a espada e não a paz? Por que exigirmos que todos sigam os nossos exemplos, ou nos obedeçam incontinenti? Não nos esqueçamos de que somos colocados em certas situações para que possamos ampliar os nossos limites. Por isso, em qualquer dificuldade, saibamos fazer uso da prece e da vigilância. Estejamos atentos, percebendo, num lance de olhos, todas as nuances de uma relação em sociedade.

7. CONCLUSÃO

Uma vez começada a jornada de reestruturação interior, não podemos mais titubear. Urge caminharmos hoje, amanhã e no dia seguinte. Somos tão insensatos que tendo começado pelo espírito, acabaremos pela carne?

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

XAVIER, F. C. Vinha de Luz, pelo Espírito Emmanuel. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1971.

São Paulo, julho de 2003

 




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