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Sócrates e Platão: Precursores do Espiritismo
Sérgio Biagi Gregório SUMÁRIO:
1. Introdução. 2. Contexto Histórico. 3. Biografia: 3.1. Sócrates; 3.2. Platão.
4. Princípios Comparados (Doutrina): 4.1. Deus; 4.2. Alma; 4.3. Reencarnação.
5. Princípios Comparados (Moral): 5.1. Justiça; 5.2. Riqueza; 5.3. Máximas.
6. Codificação do Espiritismo. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada. 1. INTRODUÇÃO O objetivo central deste estudo é mostrar que a idéia espírita é tão velha quanto o próprio tempo. Já na Antigüidade podemos perceber o clarão dessas verdades eternas. Perguntaríamos: quem foi Sócrates? E Platão? Em que as idéias de Sócrates e Platão se assemelham às do Espiritismo? 2. CONTEXTO HISTÓRICO A religião empresta as primeiras explicações a respeito da criação do homem e do cosmos: é clássico o relato bíblico sobre Adão e Eva, o primeiro casal a habitar a Terra. A China milenar, com sua filosofia de vida, discute normas de comportamento: no taoísmo há diversas noções sobre a arte de viver. A Grécia, palco da filosofia, elabora o pensamento: o logo e o ratio estão sempre em ação. Antes de Sócrates, as indagações dos primeiros filósofos referem-se ao Cosmo. Questiona-se se o elemento primordial da vida é água, o ar, o fogo ou a Terra. A vinda de Sócrates muda o eixo da filosofia: o homem volta-se para dentro de si mesmo, através da maiêutica, do conhecimento de si mesmo. Platão, discípulo de Sócrates, dá continuidade ao método socrático, aperfeiçoando-o. Depois de Platão surgiu Aristóteles. E assim poderíamos ir arrolando os diversos filósofos até chegarmos à época atual. 3. BIOGRAFIA 3.1. SÓCRATES
3.2. PLATÃO
4. PRINCÍPIOS COMPARADOS (DOUTRINA) 4.1. DEUS Para Sócrates, Deus é uma inteligência onipresente, onisciente, onipotente, absolutamente invisível ao homem. Deriva a prova da existência de Deus da finalidade do mundo. A ordem cósmica (o providencial de acontecer) é obra de um Espírito inteligente e não do acaso. Para o Espiritismo, Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas a coisas. Seus atributos são: eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso e soberanamente justo e bom. Para crer em Deus é suficiente lançar os olhos às obras da sua Criação. Não há efeito sem causa. Se o efeito é inteligente a causa também o é. 4.2. ALMA Para Sócrates, a alma participa da natureza
divina e é dada por Deus ao homem; a vida não depende do corpo, depende da
alma; através da união da alma ao corpo, a alma se macula, e só reconquista
sua pureza pela libertação do corpo. Para o Espiritismo, a alma é o Espírito encarnado. Para progredir no mundo material, une-se ao princípio vito-material do gérmen, e sofre todas as limitações que a matéria impõe ao Espírito imortal. 4.3. REENCARNAÇÃO Para Platão, se a alma, quando penetra o corpo, não busca manter sua pureza, quando morre o corpo, não retornará ao mundo das idéias, mas estará sujeita à transmigração para outro corpo de homem ou animal (metempsicose), segundo as predileções que tenha manifestado. Para o Espiritismo, a alma, quando não atinge sua evolução espiritual completa, entra no mundo espiritual denominado de erraticidade, e espera por uma nova oportunidade de voltar a este mundo. A reencarnação num corpo material é uma conseqüência da impureza da alma. 5. PRINCÍPIOS COMPARADOS (MORAL) 5.1. JUSTIÇA Sócrates e Platão tratam constantemente da
purificação da alma. Para o Espiritismo, a Lei de Amor, Justiça e Caridade é a mais importante das leis naturais, porque resume todas as demais e dá-lhe suporte. O Código da Vida Futura segundo o Espiritismo pode ser resumido em: arrepender-se, sofrer e reparar o mal (injustiça). 5.2. RIQUEZA Para Sócrates e Platão, a riqueza é um grande perigo. Todo homem que ama a riqueza não ama nem a si, nem o que está em si. O apego aos bens materiais é perda da alma. Para o Espiritismo, a riqueza é uma prova mais difícil do que a pobreza, porque pode provocar o apego aos bens materiais, e dificultar o acesso aos bens espirituais. 5.3. MÁXIMAS Sócrates e Platão: “É pelos frutos que se
reconhece a árvore”. Sócrates e Platão: “A virtude não se pode
ensinar; ela vem por um dom de Deus àqueles que a possuem”. Sócrates e Platão: “É uma disposição natural,
em cada um de nós, aperceber-se bem menos dos nossos defeitos que dos de
outrem”. 6. CODIFICAÇÃO DO ESPIRITISMO Sócrates, quando ensina nas praças públicas, lança as
sementes da maioridade terrestre, o formoso ideal da fraternidade e da prática
do bem. 7. CONCLUSÃO Uma idéia não vem à tona de uma hora para a outra. É preciso preparar os ânimos. Vimos que a idéia espírita já fora veiculada por várias personalidades. Chegara o momento em que tudo o que estava velado deveria vir à luz. É nesse momento que surge Allan kardec para nos organizar o edifício da fé cristã, corroída pelo dogmatismo religioso. 8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA BRUN, J. Sócrates.
Lisboa, Dom Quixote, 1960. (Coleção Mestres do Passado, n.º 9). São Paulo, setembro de 1995 |