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A Postura do Aluno diante da Discussão Filosófica Sérgio Biagi Gregório
A discussão filosófica envolve as noções de análise,
principalmente a análise de conceitos. O que significa analisar? Analisar é não
só decompor e discernir as diferentes partes de um todo, mas também reconhecer
as diferentes relações que elas mantêm, quer entre si, quer com o todo. Em
outras palavras, analisar é ousar enfrentar a complexidade, é fazer-se
"engenheiro do sentido". O que é um conceito? É o que o dicionário diz? O
que se entende por analisar conceitos? Na análise de conceitos devemos
distinguir as perguntas sobre fatos, valores e os próprios
conceitos. Entendamos essas distinções. Quando questionamos se o barco
afunda com o peso de uma baleia, estamos diante de uma pergunta sobre fatos.
Há dados técnicos sobre o barco: tamanho, resistência e durabilidade. Se, por
outro lado, quisermos saber se uma dada pessoa gosta de transportar baleia de
barco ou de navio, estamos diante de uma pergunta sobre valores. Agora,
se quisermos saber o que é um barco ou o que é uma baleia ou, ainda, se baleia é
peixe, estamos diante de uma pergunta sobre conceitos. As perguntas sobre conceitos deixam as pessoas – de mentes
arrumadinhas – meio atrapalhadas. Dá-se a impressão que, depois de uma reunião
onde se discutiu, discutiu, ninguém chegou a lugar nenhum. Parece que estamos
procurando pelo em ovo. Mas justamente nesse ponto, ou seja, na tentativa de
verificar o conceito é que vamos nos tornando mais conscientes do significado ou
dos vários usos que uma palavra pode assumir. Tomemos, arbitrariamente, a palavra "eu". O que significa o
"eu"? O que os dicionários dizem? E a filosofia? E a psicologia?
Independentemente de toda a literatura, o que você pensa sobre o "eu"? Qual o
seu parecer? O "eu" é independente ou dependente do "nós"? Em outras palavras:
quando o "eu" é "eu"? Diariamente, somos bombardeados pelas informações do
rádio, da televisão, dos jornais etc. Que tipo de influência isso exerce sobre o
nosso "eu"? O "eu" é imune aos elogios e às censuras? O "eu" dá a idéia de
egoísmo ou o "eu" faz parte da Humanidade? Ortega y Gasset dizia: "Eu sou eu
mais as minhas circunstâncias". Poderíamos acrescentar: somente as
circunstâncias presentes ou aquelas que envolvem encarnações passadas? Quando
Jesus disse para nos salvarmos, referia-se a um "eu" particular ou à humanidade
como um todo? A discussão filosófica deve criar condições para que cada um
possa pensar por si mesmo. O que se entende por pensarmos por nós mesmos? Seria
meditarmos num lugar à parte, isolando-nos e mantendo-nos em êxtase? O pensar
por nós mesmos é participarmos da sociedade, tendo, porém, o cuidado de não
sermos expectadores de frutos de vitrine, ou seja, repetidores do que os outros
disseram. Temos de fazer com que os pensamentos alheios façam parte de nós
mesmos. Por isso, a recomendação de moermos e remoermos as informações até que
eles possam entrar em nosso psiquismo, em nossos sentimentos e em nossas
emoções. Exercício proposto: "Quem não vem pelo amor vem pela dor".
Tomemos as duas palavras mais fortes: amor e dor. Na frase, o amor
exclui a dor e vice-versa. Será isso uma verdade? Nós não podemos amar na dor? E
quando a pessoa vai por curiosidade? Isto invalida a frase acima? O que você
acha? Qual o seu parecer? São Paulo, março de 2006 |