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Senso Crítico Sérgio Biagi Gregório
1. CONCEITO
Senso Crítico
é a busca da verdade pelo questionamento do “eu” do “outro” e do “mundo”.
2. ESPÍRITO CRÍTICO E ESPÍRITO DE CRÍTICA
Espírito crítico
é a atitude amadurecida do homem que busca com
seriedade a verdade, suprema virtude da mente.
O espírito crítico pondera razões, confronta motivos, busca o desvelamento da
verdade, que tranqüiliza as exigências da razão, dissipa as trevas da ignorância
e promove o progresso da mente.
Espírito de crítica
é o espírito de contradição.
O espírito de crítica é o indício de uma desorganização mental, de uma
superficialidade irresponsável que conduz ao ceticismo, à inanição; nasce do
nada e não conduz a coisa alguma, ou nasce da inquietação pessoal e conduz à
inquietação de muitos (1).
3. O PAPEL DA FILOSOFIA
A tarefa da Filosofia é desenvolver no estudante o senso crítico, que implica a
superação das concepções ingênuas e superficiais sobre os homens, a sociedade e
a natureza; concepções essas forjadas pela “ideologia” social dominante.
O resultado desse processo é a ampliação da consciência reflexiva do
estudante, voltada para dois setores fundamentais:
- a consciência de si mesmo: crítica de si próprio enquanto pessoa e de
seu papel individual e social (autocrítica).
- a consciência do mundo: compreensão do mundo natural e social e de suas
possibilidades de mudança (2).
4. ESTIGMA E PRECONCEITO
Nossas concepções ingênuas forjaram “ideologias” e estigmatizaram “povos”.
Não paramos para pensar se as atitudes de alguns indivíduos referem-se ou não à
totalidade das pessoas. Exemplo:
- o judeu é ganancioso;
- o negro é indolente;
- os americanos são superficiais.
5. PASSAGEM DO ESPÍRITO NÃO CRÍTICO PARA O
ESPÍRITO CRÍTICO
A lei de evolução é inexorável. Neste sentido, podemos passar de uma situação
não crítica para uma que seja crítica, da seguinte forma:
- de forma espontânea: quando novas crenças se chocam com as antigas e
requerem uma mudança;
- de forma provocada: quando deliberamos por nós mesmos uma mudança em
nossos hábitos e atitudes (3). 6.
PENSADOR CRÍTICO
O espírito crítico arranca o pensador das limitações da particularidade,
situando-o no plano das intencionalidades globais, originárias e finais do
movimento da existência.
Para J. Ladrière, a crítica é um recuo em direção ao momento originário da
existência e também um mergulho na obscuridade do futuro, na tentativa de
discernir as melhores possibilidades do devir.
A crítica consiste “num discernimento, num esforço de separar o que pode ser
reconhecido como válido daquilo que não o é, a fim de reencontrar as orientações
autênticas das intencionalidades constitutivas” (4).
7. SENSO CRÍTICO NA ÓTICA ESPÍRITA
Podemos vê-lo, dentro da ótica espírita, sob três aspectos:
1º) vias de inspeção: as informações nos chegam através das percepções
sensoriais e das extra-sensoriais. Passam, primeiramente, pelo corpo físico;
depois, pelo corpo perispiritual, e, por último, chegam ao Espírito propriamente
dito. O senso crítico está localizado no Espírito, que faz a seleção de tudo o
que lhe chega, enviando de volta, como crítica conceituada.
2º) herança e automatismo: o princípio inteligente estagiando no reino
mineral adquiriu a atração; no reino vegetal, a sensação; no reino animal o
instinto; no reino hominal, o livre-arbítrio, o pensamento contínuo e a razão.
Hoje, somos o resultado de toda essa herança cultural.
3º) a evolução é do Espírito: a lei do progresso exige que o princípio
inteligente vá-se despojando dos liames da matéria. Para que tenhamos um olhar
crítico, devemos libertar-nos da obscuridade da matéria, consubstanciada no
egoísmo, no orgulho e no interesse próprio (5).
O Espiritismo auxilia-nos a pensar criticamente, porque enfoca o ser no seu
sentido global, ou seja, relaciona-o às existências anteriores.
SENSO CRÍTICO E ESPIRITISMO Senso
crítico - é a busca da verdade pelo questionamento do “eu”, do “outro” e
do “mundo”. Tenciona-se, com isso, superar as concepções ingênuas formadas pela
“ideologia” dominante. O espírito
crítico distingue-se do espírito de crítica. No primeiro, procura-se a verdade
de forma amadurecida, ou seja, estimula-se o progresso mental, pela ponderação
de razões e discussão de motivos. No segundo, desenvolve-se o espírito de
contradição, não no sentido positivo, mas no sentido de que, uma vez
estabelecida a inquietação pessoal, passa-se à inquietação de muitos. Há que se
evitar a crítica contumaz e leviana. O pensador
crítico afasta-se das limitações particulares e impulsiona o seu pensamento para
as generalizações da existência. Não perde tempo com questiúnculas, tratando,
exclusivamente, dos aspectos relevantes da evolução do ser. Direciona seu
entendimento não somente para o futuro obscuro, tentando captar o seu devir,
como também para o passado, buscando suas origens. Neste vai-e-vem não esquece
o presente, vivendo-o intensamente, com todas as forças de sua alma. O senso
crítico, segundo o espiritismo, é realizado pelo Espírito. Como se explica? Há
percepção sensorial e percepção extra-sensorial. Nossa mente capta as
sensações e transmite-as ao perispírito. Este, por sua vez, envia-as ao
Espírito, que faz a crítica e retorna-as, em seguida, como crítica conceituada.
A essência espiritual é a herança de todas as encarnações e, de acordo com
nossas vivências anteriores, podemos ser mais ou menos ricos de inteligência e
de moral. O princípio
inteligente, na sua escalada evolutiva, adquiriu a atração no reino mineral; a
sensação, no reino vegetal; o instinto, no reino animal; o pensamento
contínuo, a razão e o livre-arbítrio, no reino hominal. Disso resulta os
automatismos de nossa existência, em que a linguagem, o tato e a locomoção são
os aspectos positivos, e os vícios e defeitos, os negativos. Na presente
encarnação, temos de nos esforçar para estimular os atos bons, reprimindo, em
contrapartida, os maus. A evolução é
do Espírito. Para que possamos melhorar o nosso "olhar crítico", temos de nos
despojar dos automatismos negativos. Essa atitude, tornando-se constante,
libera a nossa mente para a compreensão das essências mais puras do nosso ser.
QUESTÕES
1) O que é senso crítico?
2) Qual a distinção entre espírito crítico e
espírito de crítica?
3) Qual o papel da Filosofia?
4) Como se dá a passagem do espírito não crítico
para o crítico?
TEMAS PARA DEBATE
1) É fácil adquirir o olhar crítico? Em caso
contrário, o que dificulta tal aquisição?
2) O pensador crítico e as generalizações da
existência. Comente.
3) Relacione senso crítico e Espiritismo.
4) Para que possamos melhorar o nosso “olhar
crítico”, temos de nos despojar dos automatismos negativos?
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
(1) RUIZ, J. A. Metodologia Científica - Guia para Eficiência nos Estudos.
São Paulo: Atlas, l979.
(2) COTRIM, G. Fundamentos da
Filosofia para uma Geração Consciente. Elementos da História do Pensamento
Ocidental. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 1990. (3) BORNHEIM, G. A.
Introdução ao Filosofar - O Pensamento em Bases Existenciais. 7. ed. Rio
de Janeiro: Globo, 1986. (4) LADRIERE, J.
Filosofia e Práxis Científica. Rio de Janeiro: Francisco Alves, l978 (
Episteme). (5) XAVIER, F. C. e
VIEIRA, W. Evolução em Dois Mundos, pelo Espírito André Luiz, 4. ed. Rio
de Janeiro: FEB, 1977. São Paulo, fevereiro de 1998 Faça Cursos 24h Online: Lista dos Cursos
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