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Elaboração Gradual dos Pensamentos no Discurso

1. Quando não temos medo uns dos outros, o nosso pensamento flui de forma espontânea, propiciando um ritmo suave ao discurso.

2. Quando, ao contrário, sofremos restrições daqueles que nos ouvem, o nosso pensamento pode bloquear-se e dificultar a comunicação de nossa peça oratória.

3. Toda consciência define-se pela possibilidade de comunicação. Observe que sempre estamos tentando, mentalmente, nos relacionar com os outros: é uma resposta que devemos dar, um pedido que devemos fazer, um acordo que temos de firmar, uma palestra que temos de realizar.

4. Quando não temos o outro, acabamos nos comunicando conosco mesmos (solilóquio).

5. A escrita é também útil à elaboração dos pensamentos: quando estamos colocando no papel alguns pensamentos, outros se lhe interpõe, sem que os tivéssemos previsto. A isto damos o nome de criatividade. Em termos mediúnicos, poder-se-ia denominar inspiração.

6. O passeio também auxilia a construção dos pensamentos: nele podemos meditar, ruminar um tema, planejar uma palestra. Ativamos nossa atenção e concentração de forma suave e organizada.

7. O passeio, como método de ensino, foi muito utilizado pelos filósofos gregos, cognominados peripatéticos (do grego peripatos = passeio). Entre eles, destacam-se Aristóteles, seus discípulos e partidários.

Fonte:PÖPPEL, Ernst. Fronteiras da Consciência: Da Realidade e da Experiência do Mundo. Tradução de Ana Maria Rultoff. Portugal, Edições 70, 1989.

(Org. por Sérgio Biagi Gregório)

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