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Audição (*)

1. OUVIR É RENUNCIAR

"Através da História, inumeráveis vezes,
ouvir tem sido a única maneira de aprender".
(Ralph Nichols e Leonard Stevens)

Ouvir é renunciar. É a mais alta forma  de altruísmo, em tudo quanto essa palavra signifique de amor e atenção ao próximo. Talvez por essa razão, a maioria das pessoas ouve tão mal, ou simplesmente não ouve.

O "Journal of Communication" publicou um artigo  de Donald E. Laird com resultados de uma pesquisa realizada entre as alunas do Stephens College, objetivando um levantamento dos períodos de tempo dedicados às quatro habilidades fundamentais da Comunicação humana.

Os resultados foram os seguintes:

Ouvir.......................

42%

Falar.......................

25%

Ler..........................

15%

 Escrever.................

18%

Total........................

100%

 

2. VANTAGENS DO OUVINTE ATENTO

"Seja rápido no ouvir, lento no falar."
(São João, I, 19)

O bom ouvinte é raro porque para ouvir V. admite que eu tenho a dizer-lhe alguma coisa mais importante do que V. tem para me dizer.

Parte do êxito da Igreja Católica é atribuída à confissão: "muitas pessoas consideram melhor sacerdote não o que prega melhor, mas o que ouve mais atentamente.

O ouvinte atento pode contar com diversas vantagens:

1) Dispõe de melhor informação;

2) Economiza tempo;

3) Permite assegurar-se de como a sua mensagem está sendo recebida;

4) Estimula o interlocutor a falar;

5) Previne mal-entendidos.

3. FATORES MENTAIS DA AUDIÇÃO

1) A indiferença - devemos despertar a atenção, estimulando o interesse pessoal.

2) Tenha tempo para ouvir. Se não dispõe de tempo agora, ouça depois.

3) Preconceito. Ouvir é um ato voluntário e consciente. O antagonismo apaixonado impossibilita a audição. Concordância também. A maior dificuldade da audição está em nos comportarmos objetivamente. Na sua impossibilidade, devemos tentar a empatia.

Empatia é uma projeção imaginativa, é colocarmo-nos no lugar da outra pessoa.

4) Preocupação. A audição é uma ocupação interna e exige atenção total.

4. HÁBITOS DA AUDIÇÃO

Como estamos sempre mais propensos a falar do que a ouvir, habituamo-nos a interromper, a qualquer pretexto, as pessoas que estão falando.

Interromper constitui violação do principal objetivo da comunicação humana na audição: fazer com que o outro fale. Observações e comentários podem ser guardados até o final da exposição, quando sempre haverá tempo para dirimir dúvidas.

PARA OUVIR MELHOR, V. DEVE OBEDECER A ALGUMAS RECOMENDAÇÕES:

01) Mantenha a vontade firme e o sentido de audição alerta: preste atenção.

02) Procure sempre ver quem fala: a visão ajuda a audição.

03) Não encoste o corpo para ouvir; ao contrário, fique em posição firme para ajudar os sentidos a permanecerem alerta.

04) Faça o possível para não se entregar a emoções, fugindo a antagonismos, preconceitos etc.

05) Evite sistematicamente as interrupções.

06) Esquive-se ao hábito de tomar notas, em excesso.

07) Procure, sempre que  possível, exercitar sua audição, distinguindo sons, identificando vozes, esforçando-se por apurar os ouvidos.

08) Para ouvir, pare de falar! Quem fala, não ouve.

09) Ouça para compreender e não para responder.

10) Fuja às distrações: concentre-se.

11) Use de uma disposição de empatia para quem fala.

12) Tenha tempo para ouvir.

13) Lembre-se de que V. ouvirá melhor, sempre que precisar compreender, por interesse.

14) Convença-se de que, através de treinamento é possível aumentar a sua capacidade e efetividade no ouvir.

15) Tenha cuidado ao parafrasear o que ouvir: nossa capacidade de retenção é variável e, muitas vezes, inconscientemente, deturpamos o que ouvimos.

(*) Cópia de trechos do livro A Técnica da Comunicação Humana, de J. R. W. Penteado. São Paulo, Pioneira, 1964, p. 283 a 288.

(Org. por Sérgio Biagi Gregório)


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