1. A PREPARAÇÃO
- À preparação gráfica
que exige uma série de trabalhos inúteis, prefira a preparação mental,
mais lógica e adequada. É o ouvido que faz o orador. A melhor forma de
praticar a oratória é treinar o improviso todas as manhãs.
- O trabalho de reunir
documentação e planejar o discurso não obedece a planos rígidos. Os métodos
clássicos de preparação do discurso continuam a ser o escrito e o esquematizado.
Recomenda-se escrever o discurso pela prática que se adquire na redação,
embora se recomende mais, para ser utilizado na elocução oral, o esquema.
- Ensaie perante o espelho,
com um relógio à mão. O espelho dá ao orador uma idéia exata de sua
aparência, pose e gesticulação.
- Poucas pessoas preparam-se
antes de falar em público, daí os defeitos tão comuns:
1) Voz mal colocada.
2) Falta de alcance devida
à má articulação.
3) Cortes ou tropeços nas
consoantes.
4) Imprecisão nos acentos.
5) Voz que cai nos finais
das frases.
- É preciso introduzir as
palavras nos ouvidos, nos olhos e no cérebro dos que escutam. Você precisa
ser ouvido, visto e compreendido
ao falar.
O Prof. Décio Ferraz Alvim
recomenda um plano para expor qualquer assunto em público:
1) Defina e conceitue.
2) Apresente os prós e os
contras.
3) Enalteça os prós.
4) Refute os contras.
5) Apresente uma conclusão
lógica, com a sua opinião pessoal.
- Para despertar o interesse
do público, é preciso deixar-lhe uma parte dos pensamentos. Não se lhe
deve dizer tudo. O público tem
cabeça e deve usá-la. A obediência a esta norma faz com que a audiência
participe das suas opiniões e conclusões.
- Ao falar, lembre-se de que
a audiência espera que você fale com autoridade.
Observe seus ouvintes. Eles lhe mostram a medida
da atenção que você está sendo capaz de despertar. Quando tiver
terminado, cale-se. É preferível falar de menos, do que falar demais.
Procure deixar no espírito do assistente a idéia de que foi pena
ter falado tão pouco.
2. TEMA
- Não escolha nunca um tema
que lhe seja estranho.
- Como a memória é uma faculdade
que esquece, não leia apenas com os olhos, mas também com a caneta.
- Além dos livros, converse
com as pessoas que conhecem o assunto.
- Perguntaram certa vez, nos
Estados Unidos, a um pastor protestante como organizava os seus sermões,
sempre lógicos, de fácil compreensão para qualquer ouvinte. Ele explicou
que dividia o sermão em três partes:
— primeiro digo o que vou
dizer. Depois, digo. Para acabar, digo o que disse.
Quanto à
preparação, distinguem 4 tipos de discurso:
1) O improviso.
2) O Discurso preparado.
3) O Discurso lido.
4) O discurso com roteiro.
- A maioria dos oradores está
de acordo em que não se deve ler um discurso. O texto se interpõe entre o
orador e o auditório, perturbando um e outro. Falar de memória é um
grave risco e a mesma barreira mantém-se entre o orador e auditório,
embora mais sutil. Alguns oradores escrevem os discursos, esquecem-nos de
propósito e, chegado o momento de falar, estabelecem um equilíbrio entre a
memória e o improviso. Somos favoráveis à preparação de um esquema, que
não deve ser telegráfico — pode perturbar em vez de ajudar — e nem
muito extenso.
- Até existir um domínio
perfeito da palavra oral, convém evitar o improviso. Neste tipo de oração,
muito principiante naufraga, adquirindo complexos. Admite-se o improviso, de
início, apenas nos cursos de Oratória, onde se é acompanhado pelo
professor.
3. LEMBRETES
1) À medida que se sentir
mais confiante diminua o tamanho do roteiro.
2) Procure controlar o
sistema nervoso. O nervosismo só transparece caso V. queira. Uma aparência
tranqüila inspira confiança. Faça por mantê-la, embora, no interior, V.
esteja com medo da platéia.
3) DÊ tudo o que tiver! Um orador não se poupa.
4) Caso haja necessário ler
o discurso, não grampeie o manuscrito. Deixe as folhas soltas. Conforme o
lugar, poderá ir deixando cair as folhas, na medida do desenvolvimento do
discurso.
5) Sublinhe as palavras e as
frases importantes.
6) O discurso com roteiro
deixa o orador em liberdade, mantendo-o dentro de um esquema. Não hesite em
utilizar suas notas. A audiência não se incomoda com isto. Ao contrário,
vê o cuidado com que V. se preparou para servi-la
7) Para terminar um discurso
Simons sugere:
a) Faça um resumo de tudo
quanto disse.
b) Faça um apelo à ação.
c) Faça um agradecimento
sincero.
d) Conte uma história
interessante, bem humorada e adequada ao tema.
e) Faça uma boa citação.
f) Arranje uma frase
de efeito.
8) O interesse esfria e
congela-se, quando o orador não sabe como terminar, ou termina de qualquer
jeito. Todo o discurso precisa de um climax
e você deve prepará-lo com o mesmo cuidado com que procura as primeiras
cinco palavras. A primeira impressão
é a que vale, mas é a última impressão a que fica.
4. AVALIAÇÃO
- Depois de falar, responda
a estas perguntas:
1) A audiência reagiu bem
quando eu contava que reagisse bem?
2) Senti o interesse do auditório durante todo o discurso?
3) Quais os pontos em que
foi maior esse interesse?
4) Quais os pontos que menos
interessaram?
5) Estavam corretos os meus
gestos?
6) Não me perdi nenhuma
vez?
7) Não consultei demais os
apontamentos?
8) Comecei bem o discurso?
9) O tom de minha voz
correspondeu às necessidades da exposição?
10) Terminei bem?
(*) Cópia de trechos do
livro A Técnica da Comunicação
Humana, de J. R. W. Penteado. São Paulo, Pioneira, 1964, p. 283 a 288.
(Org. por Sérgio Biagi Gregório)