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Dicionário Enciclopédico

ABSOLUTO. Do latim absolutum, solto de, desligado de. O que não comporta nenhuma limitação, restrição ou dependência. O contrário de relativo. É o ser que não depende de outro, que se basta a si mesmo. Deus, por exemplo, basta-se a si mesmo, pois é completamente liberto de relações. (ELBC)

ACASO. É aquilo que não podemos prever, o que permanece indeterminado. Na filosofia antiga e renascentista, assemelha-se ao destino acidental da criação do mundo e à contingência dos acontecimentos futuros, quer dizer, à sua não-necessidade. Todo o esforço do homem consiste em reduzir a possibilidade do acaso. Os mitos, a religião, e a ciência tentam contê-lo nos limites da certeza e do conhecido. Num certo sentido, é aquilo que não conhecemos ainda, é o nome que damos à nossa ignorância: a característica dos fenômenos fortuitos é o de depender de causas muito complexas que ignoramos ainda... Hoje, depois que se começou a matematizar o acaso, ele está ligado à noção de probabilidade e à teoria dos jogos. Assim, conseguimos medir a eventualidade do aparecimento de um acontecimento. Além disso, o acaso se tornou o princípio da explicação em física: o princípio de indeterminismo de Heisenberg tende a reduzir a causalidade direta em microfísica; também as teorias da evolução, em biologia molecular submetem o acaso a uma certa "finalidade".

Na linguagem corrente, a palavra acaso é freqüentemente utilizada para designar a causa fictícia daquilo que acontece de modo imprevisto; ou melhor ainda, é o nome que damos à ausência de causa, àquilo que parece não resultar nem de uma necessidade inerente à natureza das coisas nem tampouco de um plano concebido pela inteligência: tudo o que nos parece indeterminado ou imprevisível aparece-nos como efeito do acaso. (JAPD)

AFORISMO. Sentença concisa, fácil de memorizar. Resume um certo número de idéias particulares. Síntese resultante da experiência. Empregado inicialmente por Hipócrates (século V a. C.) em seus Aforismos, o termo designava toda a proposição concisa encerrando um saber medicinal baseado na experiência e que podia ser considerado norma ou verdade dogmática. Com o tempo, o vocábulo se estendeu a outros ramos do conhecimento. Desse alargamento de sentido resultou a sinonímia quase completa entre os vocábulos "aforismo" e "Máxima". A obra de Hipócrates principia com um aforismo que se tornou justamente célebre e exemplar: ars longa, vita brevis. (MOID)

AGOSTINHO, SANTO. Agostinho (354-430 d.C.) nasceu em Tagaste, norte da África, quando o Império Romano estava sendo destruído pelas invasões bárbaras. Seu Pai, Patrício, era pagão; sua mãe, Mônica, posteriormente Santa Mônica, era cristã. Aos 16 anos, foi estudar direito em Cartago, mas em 375 começou a se dedicar à filosofia, como resultado da leitura de Hortêncio, de Cícero. Converteu-se ao Maniqueísmo e tornou-se professor de retórica em Roma, em 383. De Roma, foi para Milão, onde se viu tomado pelo carisma do bispo cristão Ambrósio. Por algum tempo, atraiu-o o neoplatonismo, mas depois de longa e dolorosa luta tornou-se cristão em 386, recebendo o batismo de Ambrósio na Páscoa de 387. Sua intenção era levar uma vida “monástica”, mas em 391 foi ordenado, contra a sua vontade, bispo de Hipona (hoje Annaba, na Argélia). Foi bispo durante trinta e quatro anos, tempo em que escreveu copiosamente, combateu heresias e viveu em comunidade com outros cristãos. Aos 76 anos de idade, foi morto em Hipona, durante cerco da cidade pelos vândalos. (RAEI, p. 25)

ANFIBOLOGIA. Etimologicamente, "dicção ambígua". O mesmo que ambigüidade. É o que apresenta duas faces, dois sentidos. Emprega-se em gramática para designar os equívocos de sentido provenientes de construção defeituosa da frase ou do uso de termos impróprios. Aristóteles cita anfibologia como um dos seis vícios que podem produzir a falsa aparência de um argumento. (ELBC)

ARGUMENTO, ARGUMENTAÇÃO. O argumento é ou um raciocínio destinado a provar ou a refutar uma proposição, ou uma razão isolada apresentada a favor ou contra uma tese. A argumentação é ao mesmo tempo a maneira de expor uma série de argumentos e a série que decorre da exposição. Contrariamente à demonstração, que é uma dedução de que se segue racionalmente uma conclusão, enquanto conseqüência necessária, a partir do simples enunciado de premissas abstratamente dadas, a argumentação quer convencer e persuadir recorrendo a múltiplos argumentos que não são independentes do contexto em que se utilizam. Enquanto uma demonstração apresenta provas necessitantes, uma argumentação apresenta raciocínios a favor ou contra uma afirmação; não é, pois, uma prova que produza racionalmente a adesão, é um conjunto de técnicas suscitando razoavelmente a convicção. Em Aristóteles, às demonstrações correspondem as provas analíticas, que estabelecem como de premissas verdadeiras decorre necessariamente uma conclusão verdadeira; às argumentações correspondem as provas dialéticas, que intervêm nos discursos destinados a persuadir um auditório mais ou menos extenso agindo sobre ele, e que ele estudou na sua Retórica, nas suas Refutações Sofísticas e nos seus Tópicos(THID)

BÍBLIA. O termo Bíblia provém do plural grego tá biblia (os livros). A partir do séc. XII, começou a ser usado para designar os livros sagrados do Antigo e do Novo Testamento. O uso de um singular para designar os vários livros sagrados tem uma explicação teológica. Não obstante a diversidade dos autores humanos, estes livros constituem uma unidade, um livro, ou o livro por excelência, cujo autor principal é Deus.

A palavra Testamento tem, na Bíblia, o significado de pacto, de aliança. Há, assim, a antiga aliança de Deus com seu povo no Monte Sinai; depois, substituída pela nova aliança, selada com o sangue de Jesus. (EVSE)

CABALA. Interpretação hebraica, mística e alegórica do Velho Testamento. Arte imaginária de se comunicar com espíritos. A partir do séc. X de nossa era, a cabala considerou-se como uma ciência secreta e misteriosa dos judeus, um sistema de Teosofia destinado a interpretar o universo pela criação do ser único e absoluto. Os mistérios que os cabalistas se propõem a desvendar nos seres da natureza encontram-se no Texto Sagrado, e nele geralmente se descobrem mercê da tradição perdida dos antepassados(Kabbalah, em hebraico, signfica também tradição). (GEPB)

CATÓLICO. Etimologia. "Refere-se ao todo", "partindo do todo", "completo". Perfeito, abrangente, universal. Totalidade a que nada falta.

Sentido teológico. Na Patrística encontramos, pela 1.ª vez em Inácio de Antioquia, para designar a Igreja: "Onde quer que se encontre o bispo deve encontrar-se a comunidade, assim como onde encontra-se a comunidade, assim como onde está Jesus Cristo está a Igreja Católica". Igreja católica significa a igreja que abrange a perfeição de Jesus Cristo, a plenitude, a totalidade, que consiste na vida em graça e na doutrina da revelação.

Na teologia da Idade Média, o conceito se expande e o termo Católico ou Igreja Católica significa que esta se encontra espalhada por todo o Mundo, podendo abranger todos os povos.

Na teologia pós-tridentina, o aparecimento do protestantismo exige um novo enfoque católico. Como não se podia negar a tese protestante, diziam: "Onde não existe a Igreja Católica não existe a verdadeira igreja". (ELBC)

CIÊNCIA. Objetivamente, é um conjunto de verdades certas, logicamente encadeadas entre si, de modo a fornecer um sistema coerente. Subjetivamente, é um conhecimento certo das coisas por suas causas ou por seus princípios. Melhor seria dizer ciências, pois não existe propriamente a ciência. Estas, no seu conjunto, propõem uma descrição racional dos vários aspectos da realidade. Exemplo: "ciências da natureza", "ciências humanas". (EVSE)

CONHECIMENTO DE SI.  O saber objetivo, isto é, não imediato nem privilegiado, que o homem pode adquirir de si mesmo. Esse termo tem, portanto, um significado diferente de autoconsciência, que é a consciência absoluta ou infinita, e também de consciência, que sempre implica uma relação imediata e privilegiada do homem consigo mesmo. (ABBD)

COSMOGONIA. Teoria sobre a origem do universo geralmente fundada em lendas ou em mitos e ligada a uma metafísica. Como não houve testemunhas, as teorias da formação do mundo assentam-se na (cosmogonias religiosas) ou no cálculo (cosmogonias astronômicas). (GEPB)

COSMOVISÃO. Cosmo – do grego kosmos significa ordem, oposto ao Caos (kaos), desordem.

Cosmovisão (Visão Geral de Mundo). Da soma geral dos conhecimentos, os filósofos organizaram, sistematicamente ou não, uma espécie de panorama geral de todo o conhecimento, formando uma totalidade de visão, uma coordenação de opiniões entrelaçadas entre si.

Com essa sistematização lhes é possível formular, não só uma opinião geral de todo o acontecer, mas também compreender e relacionar um fato individual com a visão geral formulada do todo. (SANF, p. 123)

Cosmovisão, além de significar uma visão ou concepção de mundo, expressa também uma atitude frente ao mesmo. Portanto, não é uma mera abstração, já que a imagem que o homem forma do mundo possui um fator de orientação e uma qualidade modeladora e transformadora da própria conduta humana. Implícito em toda cosmovisão há um caminho de ação e realização”.

O Materialismo, o Espiritualismo e o Idealismo são cosmovisões. O que caracteriza essas diversas cosmovisões? Primeiro, um anelo de saber integral; segundo, a apreensão da totalidade; terceiro, a solução de problemas do sentido do mundo e da vida.

Além das cosmovisões fornecidas pela ciência e pela filosofia, podemos também enumerar as determinadas pela psicologia, pela raça, pela classe social, pela cultura histórica, bem como as fornecidas pela biologia, pela matemática, pela física. (SANF, p. 124)

CRENÇA. Fato de ter por verdadeiro um enunciado que não está ou não pode ser verificado ou demonstrado. A crença funda-se no testemunho ou na intuição pessoal. Contrariamente à atitude, as crenças podem ser consideradas opiniões herdadas do meio ou convicções intelectuais dissociadas da verdadeira personalidade, as quais não transformam nem o sujeito nem o meio. (THID)

CRUZ. Instrumento de suplício composto de duas traves que se cruzam em ângulo reto. Antigamente, a cruz servia para pregar ou prender os malfeitores ou escravos para os fazer morrer. A cruz simboliza o Crucificado, o Cristo, o Salvador, o Verbo. (GEPB)

A cruz é um dos símbolos cuja presença é atestada desde a mais alta Antigüidade: no Egito, na China, em Cnossos, Creta, onde se encontrou uma cruz de mármore do séc. XV a. C.  A cruz é o terceiro dos quatro símbolos fundamentais, juntamente com o centro e o círculo e o quadrado. (CHED)

A crucificação era uma forma de pena oriental que foi introduzida no Ocidente pelos persas. No Novo Testamento, o simbolismo teológico da cruz só aparece em uma afirmação do próprio Jesus e nos escritos de Paulo. Jesus disse que aqueles que o seguem devem tomar a sua própria cruz, perdendo assim a vida para conquistá-la. Isto implica a "negação de si mesmo", o total desprezo pela própria vida, pelo bem-estar, pelas posses pessoais.

Paulo pregava Cristo e  Cristo crucificado, embora isso fosse escândalo para os hebreus e loucura para os gentios. Se Paulo pregasse a circuncisão, não haveria o escândalo da cruz; com isso, ele quer dizer que a cruz, um escândalo para os hebreus, perderia o seu valor redentor se a circuncisão ainda fosse necessária. (MACD)

DEONTOLOGIA. Parte da filosofia que trata dos deveres: é a ciência da moral.(EDIP)

DOGMA. Rigorosamente considerado, fora da Igreja Católica, o dogma não existe. Em filosofia, doutrina ou opinião filosófica transmitida de modo impositivo e sem contestação por uma escola ou corrente filosófica. Em religião, doutrina religiosa fundada numa verdade revelada e que exige o acatamento e a aceitação dos fiéis. No catolicismo, o dogma possui duas fontes: as Escrituras e a autoridade da Igreja.

Dogmatismo. Doutrina dos que pretendem basear seus postulados apenas na autoridade, sem admitir crítica nem discussão.(EDIP)

ECTOPLASMA. Força nervosa, maleável, plástica semelhante a uma neblina espessa e leitosa, profundamente sensível à criação mental, extraída pelos espíritos dos médiuns de materialização, a fim de corporificarem-se ou produzirem grande variedade de fenômenos tangíveis. (EDIP)

ÉDIPO. Herói mitológico que mata o pai e desposa a mãe. Em psicanálise, Freud cria o termo Complexo de Édipo para expressar o conjunto de aspirações inconscientes que levam os meninos a uma atração involuntária pelas mulheres de idade madura que lhes lembram a mãe, e as meninas a uma atração pelos homens de idade que lhes lembram os pais.(GEPB)

ENCÍCLICA. Carta circular mandada pelos papas aos bispos ou à coletividade, explicando questões dogmáticas e doutrinárias. (EDIP)

ESCATOLOGIA. Doutrina que diz respeito aos acontecimentos que devem assinalar o fim do mundo e os fins últimos da humanidade. Em teologia, nomeadamente, o termo designa o conjunto das concepções das esperanças religiosas, relativas ao último final e ao novo mundo que ele deve inaugurar. (THID)

É o esforço por dar um sentido e uma finalidade tanto o ser humano quanto ao universo. Em filosofia, está vinculada à interrogação kantiana: “O que nos é permitido esperar?”

EVANGELHO. Do grego Euangelion (eu = boa e angelion = notícia) significa boa notícia. Para os gregos mais antigos, ela indicava a “gorjeta” que era dada a quem trazia uma boa notícia. Mais tarde passou a significar uma “boa-nova”, segundo a exata etimologia do termo.

IGREJA. Etimologia. Do gr. eklesia, assembléia convocada, reunião, assembléia popular; do verbo ekalein, chamar para fora, convocar para reunião.

No seu sentido profano, significava primitivamente uma assembléia de cidadãos, convocados pelo pregão de um arauto público. Tanto no Velho como no Novo Testamento ainda é usado nesse sentido. O povo israelita, por exemplo, é chamado (convocado) por Deus a uma vocação histórica especial: a de preparar o advento do Seu Enviado, o Messias.

Num sentido religioso amplo, significa a assembléia universal dos fieis, unidos pela mesma fé em Cristo, participando dos mesmos ritos e sacramentos na obediência de uma mesma autoridade emanada de Cristo..

Num sentido material, o termo se refere também ao templo, o local onde as comunidades cristãs se reúnem para o culto divino. O termo Igreja, ficou assim, vinculado historicamente ao Cristianismo. De inicio, todos os cristãos pertenciam a uma só Igreja que, pela sua destinação universal, sem distinções de povos, raças ou classes, recebeu a designação de Católica. (AVIP)

LÓGICA. É a ciência das leis ideais do pensamento e a arte de aplicá-los à pesquisa e à demonstração da verdade. Diz-se que a lógica é uma ciência porque constitui um sistema de conhecimentos certos, baseados em princípios universais. Daí a razão pela qual a lógica filosófica se distingue da lógica espontânea ou empírica, que representa apenas uma aptidão natural do Espírito. (SAND)

MÂNTICA. Visão antecipada ou ciência das coisas futuras. É assim que Cícero define a mântica (De Divin., I,1), ao citar e discutir o modo como essa ciência era entendida pelos estóicos. Para estes, a mântica fundamenta-se na ordem necessária do mundo, no destino: ao se interpretar essa ordem é possível antecipar os acontecimentos que ela determina. "Os estóicos" - diz Cícero - "afirmam que só o sábio pode ser adivinho". (ABBD)

MENTE. Embora a Psicologia tenha sido tradicionalmente definida como a ciência que lida com as atividades mentais, não existe uma definição da mente aceite por todos. Uma mão-cheia de auscultações de opiniões de vários psicólogos dará como resultado o mesmo número de diferentes definições. Apesar disso, um grande número — a maioria — associará a mente aos processos de percepção, pensamento, recordação e comportamento inteligente. (CHDI)

De Acordo com o Espírito André Luiz, "A mente é a orientadora desse universo microscópio (o cérebro), em que bilhões de corpúsculos e energias multiformes se consagram a seu serviço. Dela emanam as correntes da vontade, determinando vasta rede de estímulos, reagindo ante as exigências da paisagem externa, ou atendendo às sugestões das zonas interiores. Colocada entre o objetivo e o subjetivo, é obrigada pela Divina Lei a aprender, verificar, escolher, repelir, aceitar, recolher, guardar, enriquecer-se, iluminar-se, progredir sempre. Do plano objetivo, recebe-lhe os atritos e as influências da luta direta; da esfera subjetiva, absorve-lhe a inspiração, mais ou menos intensa, das inteligências desencarnadas ou encarnadas que lhe são afins, e os resultados das criações mentais que lhe são peculiares. Ainda que permaneça aparentemente estacionária, a mente prossegue o seu caminho, sem recuos, sob a indefectível atuação das forças visíveis ou das invisíveis". (XAVN, p. 55 e 56)

MESSIANISMO. Teoria da expectação ou da esperança num Messias salvador e redentor da Humanidade, considerada em estado ou de degradação ou de queda ou de perdição, após cuja vinda essa mesma Humanidade recupera, regenera, restaura ou redescobre o estado de felicidade. Há várias acepções de messianismo. Em todas elas, porém, o messianismo manifesta o conhecimento de antinomias existenciais - o que está mal e o que é o bem, pelo que, em todas as variantes, o messianismo é a proposta do remédio, da cura, da solução. A perspectiva messiânica envolve a reconquista da felicidade original (Paraíso Perdido), a restauração dos bens destruídos (Idade de Ouro), a instauração da paz (Paz Perpétua) e, noutra instância, a assunção do homem à dignidade essencial (Reino de Deus). (EVSE)

MISERICÓRDIA. Dó, compaixão, sentimento de bondade causado pela miséria alheia. O conceito de misericórdia encontra-se já nos antigas civilizações egípcia, hebraica, chinesa e hindu. Fazendo elogio a César, Cícero proclamou a misericórdia como a mais admirável de suas virtudes. Aristóteles louvou-a, mas colocou esse sentimento a par da satisfação pela desgraça alheia merecida. Todavia, foi com o Cristianismo que a misericórdia teve sua máxima exaltação. São Tomás de Aquino analisou exaustivamente o sentimento de misericórdia. Comparando-o à caridade, afirmou que este é preferível, pois torna o homem semelhante a Deus, pelo afeto que passa a unir o crente e a entidade suprema enquanto a misericórdia torna o homem semelhante a Deus unicamente pelas obras. (ENBM)

MISSÃO. Do latim missio, ação de enviar. Começou por aplicar-se à missão (envio) do Filho do Homem e do Espírito Santo ao mundo, depois a missão confiada à Igreja de continuar no mundo a presença de Cristo.  (EVSE)

MISTÉRIO. a) O que é inexplicado, mas que nos deixa perplexo e incita à investigação ou à fuga. Há, no mistério, sempre um matiz de emotividade, do contrário seria sinônimo de desconhecido, inexplicável, o que não é.

b) Na linguagem popular, indica tudo o que é ocultado, e que só é conhecido de um ou poucos, que guardam segredo.

c) Nas religiões antigas, era o conjunto de práticas, dos ritos e das doutrinas secretas que se davam à parte do culto popular e legal, reservado apenas aos iniciados.

d) Diz-se, ainda, de tudo quanto está oculto por um símbolo, que o aponta, mas também o encobre; aponta-o aos iniciados e encobre-o aos profanos.

e) Também se emprega para significar tudo quanto é de difícil solução.

Diz-se, também, do que está além da mente humana, do conhecimento humano. Os sete mistérios, os sete véus de Ísis, os sete arcanos, as sete fundamentais aporias da filosofia etc. (SAND)

MÍSTICA.  Do grego mystica, de myo, "eu fecho" os olhos, para me ensimesmar no meu íntimo. Ao contrário do conhecimento objetivante, base da ciência empírica e racional, as vivências místicas são uma forma de experiência psicológica, puramente subjetiva, por intuição ou "vidência espiritual", de natureza afetiva-extática, irracional. O místico vive o "numinoso", o contato e fusão do próprio Eu com o Ser absoluto, o Todo, o Cósmico, Deus.

O estado de êxtase acompanha-se de um estreitamento da consciência com eliminação e desinteresse por todos os estímulos e pelo mundo exterior real. A vivência do Alter ego, pela sua origem extra-consciente afigura-se como estranha ao próprio, vinda de fora, sobrenatural, divina.

Na Teologia Católica, as palavras misticismo, mística e mistério evocam a idéia de alguma coisa de secreto, que escapa mais ou menos à razão clara e não pode ser claramente divulgado ou expresso. S. Tomás define-o como "uma vista simples e afetuosa de Deus ou da coisas divinas". (GEPB)

MITO.  Do grego mythos significa discurso, narrativa, boato, legenda, fábula, apólogo. A palavra "mito" possui diversas acepções. Entre nós, é freqüentemente utilizada com o sentido pejorativo: uma narração fabulosa e fictícia, contrária à verdade.  Nesse sentido, "mito" equivale a engano, falsidade. Essa interpretação corresponde a uma mentalidade racionalista, para qual somente a razão é capaz de expressar a verdade. Hoje, no entanto, essa visão simplista está inteiramente superada, pois sabemos que muitos dos conhecimentos mais profundos e misteriosos são de tipo inconsciente e simbólico. Em sentido mais profundo, entende-se por "mitos" as descrições religiosas antigas, que expressam os modelos, os arquétipos da ação humana através dos atos originários dos "deuses" nos diversos campos. Nesse sentido, os mitos são narrações sagradas primitivas, dotadas de grande autoridade e normatividade para a vida humana. (IDIV)

MITOLOGIA.  Do grego fábula, lenda significa conjunto de mitos. Originariamente era o estudo sistemático dos mitos, que significavam uma narrativa fantasiosa da genealogia e dos feitos das divindades do politeísmo registrados nas teogonias. Como narrações imaginosas, distinguiam-se dos escritos propriamente históricos, pelo fato de não se enquadrarem dentro das coordenadas do espaço e do tempo histórico. Aos poucos,  o termo se foi carregando de novos sentidos, entre os quais notamos os mais importantes: 1.º) explicações populares, espontâneas, isto é, não racionais, nem científicas dos fenômenos do mundo físico e social. Por exemplo: os raios são dardos flamejantes com que o deus do céu, Júpiter Tonante, descarrega a sua ira sobre a Terra; 2.º) a projeção, muitas vezes dramatizada, das grandes aspirações do grupo. Assim, um povo oprimido pela fome, cria mitos sobre uma era dourada de fartura e de paz. (AVIP)

NUMEROLOGIA. É o conjunto de regras, normas e combinações, criadas ao longo dos séculos, que permitem, por meio de relações numéricas, bem definidas, reconhecer se determinado nome (nome, apelido, pseudônimo, cognome, alcunha etc., de uma pessoa) é ou não de bom augúrio, isto é, se encerra, em si, os fatores da boa sorte, do bom presságio, ou os símbolos marcantes do azar, do infortúnio. (THAN)

PARÁBOLA. Do gr. parabole significa narrativa curta, não raro identificada com o apólogo e a fábula, em razão da moral, explícita ou implícita, que encerra e da sua estrutura diamétrica. Distingue-se das outras duas formas literárias pelo fato de ser protagonizada por seres humanos. Vizinha da alegoria, a parábola comunica uma lição ética por vias indiretas ou simbólicas: numa prosa altamente metafórica e hermética, veicula um saber apenas acessível aos iniciados. (MOID)

PERDÃO. Perdoar - do lat. med. perdonare significa “desculpar”, “absolver”, “evitar”. É o estado de ânimo, em que se encontra alguém, agravado por outrem, seu agressor, e sente-se desagravado. O pecado, na Religião, é um agravo a Deus, e o perdão consiste em não considerar-se Deus agravado; ou seja, desagravado. (SAND)

O conceito de perdão, segundo o Espiritismo, é idêntico ao do Evangelho, que lhe é fundamento: concessão, indefinida, de oportunidades para que o ofensor se arrependa, o pecador se recomponha, o criminoso se libere do mal e se erga, redimido, para a ascensão luminosa. (EQUE)

PRECONCEITO. Do latim prejudicium (julgamento prévio) designa um julgamento prévio rígido e negativo sobre um indivíduo ou grupo. As conotações básicas incluem inclinação, parcialidade, predisposição, prevenção. No uso moderno, o termo veicula muitos significados variantes. Comuns à maioria deles, contudo, são as noções de julgamento prévio desfavorável efetuado antes de uma exame ponderado e completo, e mantido rigidamente mesmo em face de provas que o contradizem. (OUTD)

PROBLEMA. Do gr. problema significa tarefa proposta, ou dificuldade a ser resolvida. 

a) formulação de uma situação, na qual certos elementos, fatores ou condições são conhecidos e outros desconhecidos, e em que se impõem descobrir os desconhecidos.

b) Diz-se, também, de toda questão de ordem especulativa, pois há em todas, uma serie de dificuldades, que exigem ser resolvidas. (SAND)

Para a filosofia, todo o problema deve poder enunciar-se sob a forma de uma questão ou de um conjunto de questões.

RESPONSABILIDADE. Do lat. responsabilitas, de respondere = responder, estar em condições de responder pelos atos praticados, de justificar as razões das próprias ações. De direito, todo o homem é responsável. Toda a sociedade é organizada numa hierarquia de autoridade, na qual cada um é responsável perante uma autoridade superior. Quando o homem infringe uma de suas responsabilidades cívicas, deve responder pelo seu ato perante a justiça. (AVIP)

A capacidade de assumir responsabilidades e de a elas se obrigar, é um dos traços mais característicos da condição humana, ao menos na sua idade adulta. Esta responsabilidade tem que ver com a liberdade e portanto com a possibilidade de escolher entre o bem e o mal, levando cada homem a assumir de forma consciente a autoria do seu agir em todas as suas conseqüências. A responsabilidade e a liberdade têm, por sua vez, que ver com a racionalidade do homem, a qual exemplarmente se manifesta não só ao nível do agir como ao nível do dizer. O homem é concomitantemente racional, livre e responsável. (EVSE)

SERVET, MIGUEL . Médico e teólogo espanhol. Nasceu em 1509 e morreu em 1553. Com a publicação de Christianismi Restitutio, foi denunciado ao tribunal inquisitorial e condenado à morte pela fogueira. Sua execução, entretanto, deu-se nos meios calvinistas. Sua contribuição à ciência está na descoberta da pequena circulação de sangue. (EDIP)

SINCRETISMO. Significa, originariamente, união dos cretenses contra o inimigo comum, porque habitualmente estavam desunidos. No século XVII, porém, pensando que o temo procedia do verbo misturar, passou ele a significar mescla de doutrinas derivadas de diversa proveniência: católica, luterana, calvinista. A partir daí, o conceito alargou-se a toda a forma de mistura – por justaposição, composição, sobreposição ou fusão – de doutrinas, de ritos, de imagens, de símbolos. (ELBC)

SUICÍDIO. Dado que o suicídio afeta todos os aspectos da vida humana, ele deve ser estudado levando-se em conta os componentes físicos, sociais, mentais etc. e que, em conseqüência, obedece a uma causação múltipla. A cada um  desses componentes corresponde um ângulo de análise, e a cada ângulo, uma definição patológica, sociológica, moral, filosófica etc. Estas não devem ser necessariamente contraditórias, mas complementares. (SILD)

De um modo geral, define-se suicídio como a ação pela qual alguém põe intencionalmente termo à própria vida. É um ato exclusivamente humano e está presente em todas as culturas.

Do ponto de vista da Doutrina Espírita, o suicídio é considerado um crime, e pode ser entendido não somente no ato voluntário que produz a morte instantânea, mas em tudo quanto se faça conscientemente para apressar a extinção das forças vitais. Importa numa transgressão da Lei Divina. É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador. (EQUE)

VIOLÊNCIA. Vem do latim violentia, que significa violência, caráter violento ou bravio, força. O verbo violare significa trotar com violência, profanar, transgredir. Tais termos devem ser referidos a vis, que quer dizer, força, vigor, potência. Mais profundamente, a palavra vis significa a força em ação, o recurso de um corpo para exercer a sua força e portanto a potência, o valor, a força vital.

O sociólogo H. L. Nieburg define a violência como "uma ação direta ou indireta, destinada a limitar, ferir ou destruir as pessoas ou os bens".

O Oxford English Dicitonary define a violência como o "uso ilegítimo da força".

Violência é o que se exerce com força contra um obstáculo. Daí: comportamento de uma pessoa contra uma outra que ela considera como um obstáculo à realização de seu desejo. A violência levanta um problema para a filosofia na medida em que nega a consciência e portanto o próprio poder de filosofar. Por isso é concebida alternadamente como de origem puramente natural (Hobbes, Nietzsche), ou como proveniente de uma vida social mal organizada (Rousseau, Proudhon, Stirner). Daí igualmente a ambigüidade do ponto de vista moral a seu respeito: é rejeitada como opressão e ausência de direito (Rousseau), ou suas virtudes libertadoras são exaltadas quando se a apresenta como uma resposta a uma violência sempre anterior (Marx). Ma atualidade, refere-se à natureza sem regras. (DURD)

WELTANSCHAUUNG. Termo alemão que designa visão intuitiva do mundo, concepção do mundo ou cosmovisão: modo global de apreensão do mundo e da vida, mas que não é definido por um sistema explícito de filosofia, embora subentenda uma reflexão filosófica como estilo geral de pensamento e de reflexão.

 

 

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(Org. por Sérgio Biagi Gregório)

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