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Reflexões sobre a Oratória EspíritaSérgio Biagi Gregório O orador deve sempre partir de si mesmo. A consulta bibliográfica é um complemento, um subsídio ao seu pensamento. Isso quer dizer que o orador não deve memorizar um texto do livro e simplesmente recitá-lo, de memória, tal qual um papagaio. Partindo do seu interior, deve construir um mapa mental daquilo que pretende comunicar ao público. Este é o seu trabalho principal. Deve ter em mente que não adianta apenas expor; há necessidade, também, de se expor. A divulgação doutrinária requer espíritos valorosos e não espíritos que desejam simplesmente se desinibir. A nossa responsabilidade é para com o conteúdo doutrinal, para com o movimento espírita, para com a divulgação dos princípios espíritas. Não é para nos desinibirmos, para sabermos nos colocar à frente dos outros. Ao orador espírita cabe a tarefa de construir um discurso próprio e original, contudo, fundamentado nos princípios doutrinários, a fim de que aqueles que o ouvem possam captar o verdadeiro sentido da palavra espiritismo. O conteúdo doutrinal está nos livros; basta apenas pesquisá-los. A comunicação doutrinal do espiritismo não está nos compêndios. É algo pessoal. Sendo pessoal, não temos o direito de imitar quem quer que seja, mesmo os maiores oradores. O ideal seria imitarmos a nós mesmos, ou seja, a nossa organização mental, a nossa limitação, a nossa compreensão do tema. Lembremo-nos de uma frase lapidar de Jesus: "Sê tu mesmo, desenvolva a tua personalidade". Quem fala em público tem uma grande oportunidade de se desenvolver, porque carrega dentro de si a missão de esclarecer os ouvidos daqueles que o escutam. As vantagens de se falar em público são muitas: dentre elas, citamos o desabrochar dos talentos que estavam ocultos, incubados no subconsciente do orador. O falar em público mexe com toda a nossa estrutura física e psíquica. Do nervosismo dos oradores de primeira viagem aos altos vôos dos grandes oradores, uma certeza permanece: o constante aperfeiçoamento do espírito imortal. Os gregos da antiguidade falavam que a beleza da vida não está na facilidade, mas nas dificuldades vencidas. Assim sendo, com perseverança, todos podemos melhorar a nossa conduta, o nosso empenho, a nossa performance. E mesmo que não nos seja dada a oportunidade de falarmos em uma tribuna, o simples fato de aprendermos as técnicas de um discurso muito nos auxiliará em nosso dia-a-dia. Quantos não são os conhecimentos que passamos aos outros numa simples palavra, numa simples observação. A sensação de nervosismo, diante do público, é natural. O nosso trabalho é fazê-la concorrer para o nosso êxito e não o nosso fracasso. São Paulo, 30/3/2007 |