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Céu, Inferno, Purgatório e Paraíso Perdido

1. C É U

·       DEFINIÇÃO: espaço ilimitado e indefinido onde se movem os astros; espaço  acima de nossas cabeças. Vem do latim coelum, formada  do grego   coilos,   côncavo,  porque  o  céu  parece   uma   imensa concavidade.

·       SEGUNDO  A RELIGIÃO: região para onde, de acordo com  as  crenças religiosas, vão as almas dos justos. (lugar circunscrito).

·       SEGUNDO  O ESPIRITISMO: a palavra céu indica o espaço  universal; são os planetas, as estrelas e todos os mundos superiores em  que os   Espíritos  gozam  de  todas  as  suas  faculdades,  sem   as tribulações  da  vida  material  nem  as  angústias  inerentes  à inferioridade.

·       SEGUNDO  A  CIÊNCIA:  a  idéia que fazemos  do  Céu  é  fruto  da concepção  grega  e babilônica (imutável,  calmo,  vida  eterna). Copérnico,  no Século XVI, quebra a tradição  milenar e coloca  o Sol  no centro do Universo. Com isto a Terra entrou no Céu.  Mais tarde,  Galileu,  com a descoberta do telescópio,  corrobora  tal afirmação.  A  Ciência parecia ir contra a Bíblia; mas  a  Bíblia ensina como ir ao Céu, não como ele foi feito.

2.  I N F E R N O

·       CONCEITO  PAGÃO: o conhecimento do Inferno pagão nos é  fornecido quase exclusivamente pela narrativa dos poetas. Citam-se  Homero, Virgílio  e  Dante  Alighiere.  Dante  Alighiere,  por   exemplo, na  sua  "Divina  Comédia"  descreve  os  aspectos  lúgubres  dos lugares,  preocupando-se  em realçar o gênero de  sofrimento  dos culpados.(1) cap. IV

·       NA MITOLOGIA: lugar subterrâneo, onde estão as almas dos mortos.

·       SEGUNDO  O  CRISTIANISMO:  lugar ou situação pessoal  em  que  se encontram  os  que  morreram  em  estado  de  pecado.  O  Inferno perpetuado pela religião cristã dogmática foi elevado a um  lugar de  maiores  suplícios  do  que  aquele  dos  pagãos   (caldeiras ferventes, tonéis de óleo, rochedo em brasa etc.).(1) cap. IV

·       PARA O ESPIRITISMO: Céu e Inferno são figuras de linguagem e  não lugares circunscritos. O Inferno não é lugar materializado (fogo, tridentes  etc.), mas “uma vida de provas  extremamente  penosas” (revezes,  doenças,  dificuldades  etc.),  com  a  incerteza   de melhoria.(2) perg. 1014a

3.  P U R G A T Ó R I O

·       PROVENIENTE DE PURGAR: tornar puro, purificar, limpar.

·       PARA  O CRISTIANISMO: lugar de purificação das almas dos  justos, antes  de  admitidos na bem-aventurança. P. ext.  qualquer  lugar onde se sofre por algum tempo. O Evangelho não faz menção  alguma do  purgatório,  que só foi admitido pela Igreja no ano  de  593, como  dogma: era o lugar menos doloroso para as  almas,  bastando preces  ditas  ou  encomendadas  (orações  pagas),  para  que   o interessado  não  fosse ao fogo, mas ao Céu. Isto  deu  origem  à venda  de  indulgência,  ou  seja,  a  remissão  do  pecado  pelo pagamento de uma determinada quantia em dinheiro. (1) cap. V

·       SEGUNDO O ESPIRITISMO: entende-se como sofrimento físico e moral. É o tempo de expiação. Na Terra, como encarnado, o  homem  expia suas  faltas, submetendo-se às provas e fazendo suas  reparações. Não  é, portanto, um lugar definido, fora  da  vida  encarnada, mas  o  estado dos Espíritos imperfeitos que estão  em  busca  do aperfeiçoamento moral e intelectual. (2) perg. 1013

4.  D O U T R I N A   D A S   P E N A S   E T E R N A S

·       SEGUNDO  O  CRISTIANISMO: conseqüência da  concepção  do  Inferno material.  Principal argumento invocado a seu favor: "é  doutrina sancionada   entre  os  homens  que  a  gravidade  da  ofensa   é proporcionada à qualidade do ofendido. O crime de lesa-majestade, por   exemplo,  o  atentado  à  pessoa  de  um  soberano,   sendo considerado  mais  grave  do que o fora  em  relação  a  qualquer súdito, é, por isso mesmo, mais severamente punido. E sendo  Deus muito mais que um soberano, pois é Infinito, deve ser infinita  a ofensa   a   Ele,  como infinito o respectivo  castigo,  isto  é, eterno". (1) cap. VI item 10

·       SEGUNDO  O ESPIRITISMO: o prazo da expiação está  subordinado  ao melhoramento  do  culpado. Dos trinta e três itens do  código  da vida futura segundo o Espiritismo, resumem-se em: arrependimento, expiação  e reparação, ou seja, apagar os traços de uma  falta  e suas conseqüências. (1) cap. VII, pág. 93

5.  P E C A D O  O R I G I N A L

·       SEGUNDO O CRISTIANISMO: Deus criou Adão e Eva que teriam ofendido a  Deus por quererem assemelhar-se-lhe. É o pecado original,  uma ofensa  proporcional à grandeza do ofendido. Infinita,  portanto. Por isso merecem castigo que se estendeu a toda sua descendência. Mas,  infinitamente misericordioso que Ele é, Deus, na pessoa  do Filho,  Jesus, fez-se homem a fim de sofrer ele próprio a dor  do resgate  e, com isto, redimir a humanidade e  proporcionar-lhe  a salvação.  Confunde-se Jesus com Deus. Cria-se, também, o  ritual do batismo. (3) pág. 33

·       SEGUNDO  O ESPIRITISMO: para o Espiritismo o pecado original  não existe.  Contudo, a respeito do batismo, o Espírito  Emmanuel,  na pergunta  298 do livro  O Consolador, comenta que o  espiritista deve  entender  o batismo como o apelo do seu coração ao  Pai  de misericórdia para a cristianização dos filhos , no apostolado  do trabalho e da dedicação.

6.  P E R D A   D O   P A R A í S O

·       RELATO BÍBLICO: Adão e Eva comem o fruto proibido, em virtude  da tentação de Eva, pela serpente. São expulsos do paraíso.

·       SEGUNDO  O ESPIRITISMO: o paraíso terrestre, cujos vestígios  tem sido  inutilmente  procurados na Terra, era, por  conseguinte,  a figura dum mundo ditoso, onde vivera Adão, ou, antes, a raça  dos Espíritos  que  ele  personifica. Para  o  Espiritismo  os  anjos decaídos  e  a  perda do paraíso estão presos  à  progressão  dos mundos.  Os  mundos progridem, fisicamente,  pela  elaboração  da matéria  e,  moralmente, pela purificação dos  Espíritos  que  os habitam.  Logo que um mundo tem chegado a um de seus períodos  de transformação,  a  fim  de ascender  na  hierarquia  dos  mundos, operam-se mutações  na sua população encarnada e desencarnada.  É quando se dão as grandes emigrações e imigrações. (4) item 43

7.  S I S T E M A   D E   C A P E L A

·       CAPELA: uma  grande  estrela  da  Constelação  de  Cocheiro,  que recebeu, na Terra, o nome de Cabra ou Capela. Sua luz gasta cerca de 42 anos para chegar à face da Terra. Quase todos os mundos que lhe  são  dependentes já se purificaram física e  moralmente.  Há muitos  milênios,  um  dos orbes de  Capela,  que  guarda  muitas afinidades  com o globo terrestre, atingira a culminância  de  um dos seus extraordinários ciclos evolutivos. Alguns Espíritos  que não acompanharam  essa  evolução,  foram, sob a  anuência  de  Jesus, recambiados para o nosso Planeta, dando origem às RAÇAS ADÂMICAS.

8.  A S   R A Ç A S   A D Â M I C A S

·       GRUPO  DOS  ARIAS: dele descende a maioria dos povos  brancos  da família indo-européia.

·       CIVILIZAÇÃO DO EGITO: foram os que mais se destacaram na  prática do Bem e no culto da Verdade.

·       POVO  DE  ISRAEL: a raça mais forte e mais  homogênea,  mostrando inalterados os seus caracteres através de  todas as mutações.

·       CASTAS  DA ÍNDIA: foram os primeiros a formar os pródomos de  uma sociedade  organizada,  cujos  núcleos  representariam  a  grande percentagem de ascendentes das coletividades do porvir. (5) cap. III

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

(1) KARDEC,  A.  O Céu e o Inferno ou A Justiça  Divina  Segundo  o Espiritismo. 22.ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.
(2) KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. São Paulo, FEESP, 1972.
(3) CURTI,  R.  Cristianismo  (de  Jesus  a  Kardec).  São Paulo, FEESP.
(4) KARDEC,  A.  A Gênese - Os Milagres e as  Predições  Segundo  o  Espiritismo. 17.ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.
(5) XAVIER,  F. C. A Caminho da Luz (História da Civilização à  Luz do Espiritismo). Rio de Janeiro, FEB, 1972.

(Org. por Sérgio Biagi Gregório)




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