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Drogas

Sérgio Biagi Gregório

Hoje, em qualquer lugar do mundo, alguém experimentará a droga pela primeira vez. Poderá tornar-se um drogado, ou não. Mas, o que leva uma pessoa a drogar-se? São muitos os fatores: o desgosto pela vida, algum desejo reprimido, briga com um ente querido. No fundo de tais causas, acreditamos nós, está a fuga para não enfrentar os problemas que dizem respeito à nossa própria existência. Não são poucos aqueles que ligados a uma instituição religiosa dizem adeus às drogas e iniciam um trabalho de ajuda àqueles que ainda se drogam.

Os países ricos, em muitos aspectos, são responsáveis pela produção de droga nos países em desenvolvimento. Como as atividades econômicas dos países pobres são insuficientes para gerar renda e emprego que atendam às necessidades básicas, as populações destes países acabam aceitando o apelo de um poder aquisitivo mais elevado. Embora sujeitos aos riscos de tal empreendimento, para muitos é a porta de salvação monetária, levando muitos a renegar o valor moral de tal trabalho.

A questão das drogas tem sido muito mais uma questão de repressão do que de educação. Observe a guerra que se trava tanto do lado dos produtores como do lado dos consumidores. Nesse sentido, a droga e o drogado geram custos altíssimos para a sociedade, dado o caráter ilegal de tal empreendimento. Pergunta-se: qual o custo social de tal atividade? Se somássemos o salário do juiz, o salário do policial, as idas e vindas dos familiares, o suborno, os hospitais de correção e as casas assistenciais, teríamos um medida aproximada.

A comissão das Nações Unidas que trata das drogas e narcóticos está discutindo "a minuta de declaração sobre os princípios que irão guiar a redução da demanda por drogas". Além da redução da demanda, essa abordagem tem outra característica meritória: o afastamento de uma postura fortemente punitiva. Alega-se que se os países que têm uma alta concentração de renda, especialmente os Estados Unidos, pararem de confiar apenas na restrição brutal da oferta e na punição, igualmente brutal da demanda, muito se terá conseguido.

A declaração, que nada mais é do que um estímulo à mudança de conduta, deve cobrir todos os aspectos de prevenção: informação, educação, consciência por parte do público, intervenção preventiva, aconselhamento, tratamento, reabilitação, prevenção contra uma recaída, acompanhamento posterior e reintegração à sociedade. Não se deve medir esforços na busca de todos os grupos sociais factíveis de se drogarem, inclusive, os detentos.

Muito embora a façanha seja difícil, o colocar mãos à obra dá um certo sabor de tranqüilidade de consciência, pelo fato de se ter tentado eliminar esse cancro de nossa sociedade.

Fonte de Consulta

Jornais e Revistas

São Paulo, 27.03.98

 




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