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Prece

Sérgio Biagi Gregório

Prece  - do lat. prece - significa rogo e, por  extensão,  pedido instante; súplica. É o orvalho divino que aplaca as nossas chagas mais  íntimas.  Pela prece pomo-nos em relação com Deus  para  um pedido,  um  agradecimento ou um louvor. A prece,  enfim,  resume todas as nossas aspirações humanas e divinas.

Filosoficamente   considerada,  a  prece  traduz-se  por  um  ato espontâneo de adoração ao Criador. A naturalidade da oração nota-se  no fato de que a oração é elemento latente na vida de  todos. As  fundamentações  em torno da prece podem ser  encontradas  nas perguntas 653 a 666 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.  O codificador  do  Espiritismo propõe, entre outras,  as  seguintes questões:  Qual o caráter geral da prece? A prece torna  o  homem melhor?  Podemos pedir eficazmente o perdão de nossas faltas?  As preces que fazemos por nós mesmos podem modificar a natureza  das nossas provas e desviar-lhes o curso? 

Cientificamente   considerada,   a  prece   traduz-se   por   uma comprovação  positiva  do seu efeito. O  médico-cirurgião  Alexis Carrel, em seu livro A Oração - Seu Poder e Efeitos, diz-nos  que é  difícil separar a ação curativa do remédio do  efeito  curativo da oração. Contudo, regozija-se com o paciente que ora, porque em suas observações notou que ele facilita o processo de cura. Allan Kardec,  no  cap.  XXVII de O Evangelho  Segundo  o  Espiritismo, discorre  sobre  a ação da prece. Esclarece-nos   que   pela   nossa vontade  podemos  atuar sobre o fluido universal  e  provocar  os "milagres",  que nada mais são do que uma extrema aceleração  dos processos normais de cura. 

Religiosamente considerada, a prece traduz-se pela elevação moral da  criatura.  Pode, também, estar envolta  com  aquela  súplica: "Senhor, ensina-nos a orar". Liga-se a um sentimento de caridade, quando colocamo-nos à disposição dos bons Espíritos para  orarmos por nós mesmos ou pelos outros. Nesse sentido, podemos orar  para pedir  força de resistir a uma tentação, para pedir um  conselho, por  alguém  que esteja em aflição, por nossos inimigos,  por  um agonizante etc. 

A  divisão filosófica, científica e religiosa é apenas  didática. Na  prática,  deveríamos  vê-la num todo. Quer dizer,  o  ato  de adoração deve ser questionado e analisado sob esses três ângulos, conjuntamente. Dessa forma: Estamos orando como os fariseus,  que gostam de ser vistos? Nossos impulsos dirigidos ao Alto são puros e necessários? Pomos uma dose de razão ao sentimento de súplica? 

A  prece,  como  vimos,  constitui  emissão  eletromagnética   de relativo poder. Empenhemo-nos, pois, em fortificar a nossa fé,  a fim de que as nossas emissões sejam cada vez mais poderosas.

 

 

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