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Sermão da Montanha - Subsídios para uma Melhor Compreensão -
1) "Bem-aventurados os
pobres pelo espírito" e não "pobres de espírito".
Nem no texto grego
do primeiro século, nem na tradução latina da Vulgata se encontra o
tópico "pobres de espírito", mas sim " pobres pelo espírito", ou seja, "pobres
segundo o espírito" (em grego: tô pneumati, no terceiro caso,
dativo, não no segundo, genitivo; em latim: spiritu, no sexto caso,
ablativo, não no genitivo). Na tradução "de espírito" entende-se o genitivo,
como se disséssemos "fulano é pobre de saúde, de inteligência", isto é,
falta-lhe saúde, inteligência. (p. 19)
2) "Bem-aventurados os
que tem fome e sede de justiça".
A palavra "justiça",
toda vez que ocorre nas sagradas Escrituras, significa a relação ou atitude
justa e reta que o homem assume em face de Deus. Não se refere à justiça no
sentido jurídico, do plano horizontal, como é usada na vida social de cada dia.
Justiça é, pois, a compreensão intuitiva de Deus (a mística) e o seu natural
transbordamento na vida cotidiana (a ética). (p. 38) O Divino proclama
felizes os que sofrem essa fome e sede da experiência de Deus, porque eles serão
"saciados".
3) "Bem-aventurados os
pacificadores" e não "pacíficos".
A tradução
"pacíficos", em vez de "pacificadores", que se encontra em muitas versões
portuguesas, não corresponde ao sentido do original grego eirenopoio, nem
ao latim pacifici, porque ambos significam um processo ativo e dinâmico e
não apenas um estado passivo de paz. (p. 40)
4) "Bem-aventurados os
que sofrem perseguição por causa da justiça".
Justiça significa
atitude justa e reta do homem para com Deus. O homem "justo", nos livros sacros,
é o homem santo, o homem crístico, o homem que realizou em alto grau o seu Eu
divino pela experiência mística manifestada na ética. O homem "justo" é o homem
que se guia, invariavelmente, pelos dois grandes mandamentos, o amor a Deus e a
caridade do próximo. (p. 50)
5) Complemento
Se todos os livros
religiosos da humanidade perecessem e só se salvasse o Sermão da Montanha, nada
estaria perdido. Nele se encontram o Oriente e o Ocidente, o Brahmanismo e o
Cristianismo e a alma de todas as grandes religiões da humanidade, porque é
síntese da mística e da ética, que ultrapassa todas as filosofias e teologias
meramente humanas. O que o Nazareno disse, nessa mensagem suprema do seu
Evangelho, representa o patrimônio universal das religiões -
seja o Kybalion de Hermes Trismegistos, do Egito, sejam os Vedas, de
Bhagavad Gita ou o Tao Te King de Lao-Tsé, do Oriente, sejam Pitágoras,
Sócrates, Platão ou os Neoplatônicos, sejam São João da Cruz, Meister Eckhart,
Tolstoi, Tagore, Gandhi ou Schweitzer - todos convergem nesta mesma Verdade,
assim como as linhas de uma pirâmide, distantes na base, se unem todas num único
ponto, no vértice. (p. 16)
Cópia integral
de trechos do livro O Sermão da Montanha, escrito por Huberto Rohden. São
Paulo: Martin Claret, 2003. (Coleção Obra Prima de cada Autor)
(Org. por Sérgio Biagi Gregório)
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