Sérgio Biagi Gregório
1. A IMPORTÂNCIA DA HISTÓRIA
A História tem a incumbência de manter viva a lembrança de
uma pessoa, de uma organização, de um país. Há professores de História que
adotam esta prática. Eles incentivam as pessoas a fazerem um documento
histórico: da família, do bairro, da igreja e do clube que freqüentam.
Nas sociedades antigas, quando ainda não tínhamos a escrita,
a memória ficava presa aos mais velhos. Havendo uma epidemia, a memória se
perdia por completo.
Em se tratando de Jesus, há poucos registros históricos. Tudo
o que dele sabemos vem dos seus Evangelhos, escritos alguns anos depois de sua
morte. A conseqüência imediata desse fato foi o aparecimento de diversas
interpretações acerca dos seus ensinamentos e, concomitantemente, as várias
seitas espalhadas pelo mundo. Allan Kardec, por sua vez, quis evitar os
problemas da hermenêutica: tinha como base o rigor científico, a fim de não
deixar dúvidas quanto aos princípios fundamentais do Espiritismo.
2. PRIMÓRDIOS DA FUNDAÇÃO
De acordo com o Sr. João Zilio Grillo, Tesoureiro da
Primeira Diretoria do C.E.I., a fundação desta entidade originou-se nas
conversas travadas entre o Sr. Humberto Bury e o Sr. Antonio Grillo Filho, seu
irmão, em 1961, quando voltavam das reuniões do "Culto Cristão no Lar",
realizadas, às 5.ª feiras, nas dependências da Federação Espírita do Estado de
São Paulo.
A questão levantada por eles era a seguinte: por que, em vez
de nos locomovermos até o centro da cidade, não o fazemos em nossas próprias
residências? Colocando em prática tal idéia, eles implantaram o "Culto Cristão"
em seus próprios lares, alternando a casa para a realização do mesmo. Com o
tempo, outros lares entraram no rodízio do "culto": a da família Vianello e a do
próprio Sr. João Zilio Grillo.
Os membros de cada família foram, naturalmente, divulgando as
reuniões entre os seus parentes e amigos. Com isso, a procura pelos novos
ensinamentos aumentava enquanto as casas ficavam cada vez menores. A solução
encontrada foi estabelecer um único local, ou seja, a residência do Sr. Antonio
Grillo, localizado na Rua da Alegria, 84 Fundos, em Jaçanã.
Uma vez fixado o local, começaram a pensar no nome para a
fundação do CEI. Foi pedido para que cada pessoa trouxesse um nome, o qual seria
escolhido pelos idealizadores das reuniões. O Sr. Antonio Grillo filho comentou
que havia sonhado com o anjo Ismael, e que seria interessante escolher este
nome, ou seja, Centro Espírita Anjo Ismael. Este foi unanimemente aceito,
contudo não pode ser registrado como anjo, ficando simplesmente Centro
Espírita Ismael.
Enquanto os dirigentes se preocupavam com os aspectos legais
da criação desta entidade, a procura pelos ensinamentos espíritas aumentava, e a
oficina cedida pelo Sr. Antonio Grillo filho, já não comportava todo o volume de
pessoas. Certa feita caiu uma chuva tão forte, e os freqüentadores tiveram que
ser alojados na sala e nos quartos da residência do Sr. Antonio Grillo filho, o
que causou um certo desconforto para a família.
Em vista disso, começaram a procurar um novo local para a
realização das reuniões. Dentre os imóveis à venda na redondeza, optaram pelo da
Av Henri Janor, 141. Mas, a casa já estava prometida para outra pessoa. O Sr.
João diz que o grupo queria tanto este local que fizeram até vibrações para que
o interessado desistisse da compra. Voltaram a falar com o proprietário e este
lhes disse que se a pessoa não viesse com o dinheiro até 2.ª feira, às 10h, a
casa seria do Centro. Foi o que aconteceu. Contudo, o pessoal do CEI também não
tinha o dinheiro.
Mas o dinheiro surgiu. Conta-se que o Senhor Rasga, relatando
o fato na FEESP, recebe de um de seus colaboradores, um cheque no valor do
imóvel. Vem correndo e compra a casa onde estamos até hoje.
3. ASPECTOS ADMINISTRATIVOS
3.1. ESTATUTO
Tão logo foi escolhido o nome do Centro, tratou-se de
registrá-lo no PRIMEIRO CARTÓRIO DE REGISTRO DE TÍTULOS E DOCUMENTOS, localizado
na Rua XV de novembro, no centro de São Paulo. O Sr. Bury, antigo funcionário da
extinta TV Tupi, que tinha mais facilidade com as letras, encarregou-se de
preparar toda a papelada necessária. Isto se deu no dia 15 de agosto de 1962,
como consta de Ata de Fundação.
Este Estatuto teve algumas modificações, em decorrência das
exigências da lei, mas nada que pudesse alterar substancialmente os objetivos
desta organização religiosa, ou seja, tratar o
Espiritismo como ciência,
filosofia e religião, estudá-lo e praticá-lo nas condições estabelecidas pelos
seus princípios fundamentais, promovendo sessões espíritas e culturais,
difundindo-o por todos os meios ao seu alcance e preservando sua pureza
doutrinária.
3.2. TODOS OS PRESIDENTES
1962/1964: Antônio Teixeira dos Santos;
1964/1965: Antônio Grillo Filho;
1965/1966: José Moreira da Costa;
1966/1968: José Ferreira de Oliveira Filho;
1968/1970: Antônio Francisco Rasga;
1971/1973: José Ferreira de Oliveira Filho;
1973/1976: Antônio Sanches Netto;
1976/1979: Wanderlon da Cunha Resende;
1979/1982: José Vitorino do Nascimento;
1982/1988: José Antenor Gomes Filho;
1988/1994: Sérgio Biagi Gregório;
1994/2000: Agenor Mikio Honma;
2000/2006: José Antenor Gomes Filho;
2006/2009: Sérgio Biagi Gregório.
3.3. REALIZAÇÕES
Cada um, em sua gestão, foi incrementando algo ao patrimônio
do CEI, tanto material quanto espiritual. Dentre essas realizações, a mais
importante foi a criação dos Cursos em 1970. Estes Cursos foram instituídos nos
moldes da Federação Espírita do Estado de São Paulo. Na época, havia o "Curso de
Aprendizes do Evangelho", em que os expositores eram enviados diretamente FEESP,
para ministrarem uma seqüência de 5 a 7 aulas.
4. ESTRUTURA FÍSICA
Em 1962, adquirimos um imóvel, que constava de uma pequena
casa com uma área em forma de arco. Ela vigorou por muito tempo. Na década de
80, construímos um salão à direita deste primeiro, denominando-o de sala 01. Em
1986, construímos um salão em cima da sala 01. Em 1990, compramos uma área de
300 m2, que se estende dos fundos da Av. Henri Janor até a Rua Ponta
de Pedras. Em 2002, fizemos a reforma da na Av. Henri Janor, construindo um
salão para mais de 150 pessoas. Em 2008, compramos mais um imóvel, situado na
Rua Ponta de Pedras, 55 e 59, que dará lugar à ampliação das atividades
espirituais de nossa Casa Espírita.
5. ESTRUTURA MORAL E ESPIRITUAL
5.1. OS CURSOS
A criação dos Cursos, em 1970, foi o fato histórico
relevante. Com as escolas em vigor, pudemos formar novos colaboradores, mais bem
preparados e mais conscientes da responsabilidade das tarefas espirituais.
Nota-se que, de quatro ou cinco classes que havia em 1970, passamos para mais de
30 reuniões de estudo por semana. Só o "Curso de Educação Mediúnica", com
duração de quatro anos, absorve 18 dessas reuniões. As restantes dizem respeito
ao "Curso de Passes", ao "Curso de Entrevistador", ao "Curso de Expositor" etc.
5.2. ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL
O trabalho de "passes espíritas" também teve um crescimento
extraordinário em todos esses anos. Temos, presentemente, 500 colaboradores, que
são responsáveis pela realização de 40 sessões semanais e aplicação de mais de
2.000 passes. Ressaltamos que seguimos os passes padronizados pela FEESP.
Praticamente, os trabalhos que se desenvolvem na FEESP são também aqui
encontrados.
5.3. ASSISTÊNCIA SOCIAL
O Departamento de Assistência Social abre espaço para a
prática da caridade. A Assistência Espiritual (passes) reequilibra o
freqüentador; os Cursos dão-lhe ensinamento e fortalecimento moral; a
Assistência Social propicia-lhe a oportunidade de praticar tanto a caridade
material quanto a caridade espiritual. Em realidade, o trabalho de Assistência
Social, num Centro Espírita, é antes de tudo um trabalho de ensino e de
assistência espiritual, e não simplesmente uma distribuição de cestas básicas.
Organizar a Assistência Social, sem essa preocupação, é afastar-se dos
pressupostos básicos da Doutrina Espírita.
5.4. NOVA MODALIDADE DE AUXÍLIO
Com o aumento da comunicação pela Internet, há a necessidade
de os Centros Espíritas criarem um setor de atendimento on-line. Embora
não oficialmente, pois demanda tempo, sempre que possível, acabamos esclarecendo
uma ou outra dúvida acerca do Espiritismo e dos Centros Espíritas.
6. CONCLUSÃO
O Centro Espírita Ismael tem prestado, ao longo desses 46
anos, esclarecimentos valiosos aos adeptos do Espiritismo. Por isso,
reverenciemos o espírito Ismael e agradeçamos a oportunidade que nos foi dada
para participar dessa pequena história.
São Paulo, 6 de agosto de 2008